Dizem que os passarinhos,
Em suas gaiolas frias e apertadas,
Cantam porque estão tristes.
Eu já penso que não.
Eles cantam, cantam e cantam,
Porque ninguém consegue
Aprisionar ou calar neles a esperança
De que haverá melhores dias.

Dizem que os passarinhos,
Em suas gaiolas frias e apertadas,
Cantam porque estão tristes.
Eu já penso que não.
Eles cantam, cantam e cantam,
Porque ninguém consegue
Aprisionar ou calar neles a esperança
De que haverá melhores dias.

Guarda-me dentro de ti
Porque é só dentro de ti
Que eu (r)ex(s)isto.

Se perdoe, vai…
Se perdoe e vá.
Pois a vida é curta
E o tempo é breve.
Mas as memórias e os sentimentos,
O calor e a cor dos momentos,
As nuances dos tempos,
São perpétuos
E transcendem jazigos perpétuos.
Se perdoe, vai…
Você merece.
Simplesmente vá.

Fascinam-me os pássaros,
Flutuando ao lado da ponte
Sem precisar bater suas asas
À mercê da magia do vento.
Fascina-me a ponte
Que serve de refúgio aos pássaros
Imponente diante da paisagem
À mercê da magia do tempo.
Fascino-me eu comigo,
Diante dos pássaros e da ponte
Diante do vitrificado horizonte
À mercê de Deus adiante eu sigo.

Sexo não é intimidade.
Intimidade é quando almas nuas e cruas se tocam
Com os receios despidos
Com os medos difíceis de explicar ou definir
Com conversas difíceis de digerir
Com verdades dolorosas e necessárias
Sem maquiagem, sem máscaras, sem nada.
Seremos íntimos de pouquíssimas pessoas durante a vida.
Então, convém não confundir
Porque sexo há de sobra por aí.

Não me importei com as falas,
Muito embora eu as sentisse.
Mas as perversões em riste,
Eram em mim cilícios lancinantes.
Saí de cena,
Emudeci-me,
Resignei-me.
Tomei rumo,
Prumo,
Vodka,
Gin,
Whisky,
Cerveja.
Mas quando a alma é pequena –
Se é que existe –
Nada de fato vale a pena,
Nem mesmo uma merda de poema.

Às vezes –
Todas as vezes! –
Sinto que a vida pode me lanhar.
Não tenho medo,
Porque é só no desassossego,
Nos limites do desejo,
Que sou –
E QUERO! –
Estar.

As nuvens –
Antes cinzentas –
Assopram-me em direção ao sol.
Justo o sol,
Que sempre lá esteve.
Justo o sol,
Que das nuvens independe.
Mas eis que voar por entre
As nuvens densas e cinzentas,
Fez-me valorizar ainda mais o sol,
Que me aquece,
Que me remexe,
E minha pele aquece,
E faz bater meu coração.
Queria eu ter entendido antes,
Que as nuvens então cinzentas,
Eram catalisadoras da minha ascenção.
(querendo eu ou não)
Pelas nuvens cinzentas eu ascendi,
E o sol tudo em mim acendeu.

E se…
Vai que…
Quem sabe?
Será?
Talvez…
No mundo das escolhas,
No palco das ilusões,
No futuro que se altera
Diante do sim e do não,
A vida segue resoluta,
Diante da amarga autossabotagem
Que é não tomada de uma decisão.
Qualquer coisa
É só culpar o destino
E deixar tudo por isso mesmo:
Café frio sobre a mesa
Adoçado com lágrimas ácidas e salgadas
Que brotam do coração.
A felicidade dá medo;
Todo o resto não.
