Uma das coisas que descobri é que algumas pessoas seguem comigo mesmo que já tenham ido para o céu ou estejam longe fisicamente. E elas mostram sua presença do nada, em situações cotidianas e corriqueiras.
Comer aquele queijo, andar naquela praia, ir naquele parque, tomar aquele café, trocar aquele sorriso, realizar aquele sonho que seu irmão nunca teve a chance de viver, e assim descobrir que fica sempre um pouco do outro dentro de mim, e que sempre fica dentro do mim um pouco do outro, independente da minha vontade.
Quando eu era mais novo, escrevi um “livro” (eram páginas de uma impressora devidamente encadernadas). Dediquei este “livro” a meu irmão, que foi para o céu com apenas 8 anos de idade, com os seguintes dizeres:
“Tempo e distância são nada entre nós.”
Continuam não sendo. Nunca serão.
De vez em quando, eu fico triste. Não estou falando do meu irmão especificamente, mas porque me parece que envelhecer é acumular saudades. E toda a vez que eu sinto qualquer tipo de saudade, eu acredito mais ainda em Deus. A saudade me faz acreditar na vida eterna, no paraíso, e me faz acreditar que, algum dia, de alguma forma, eu vou voltar a sentir e a ter bem perto de mim aqueles que deixaram partes da minha vida congeladas quando se foram ou se afastaram.
E ainda assim, eu quero viver todas as minhas saudades. Delas não me desapego, porque a saudade me faz lembrar nos meus piores dias que em outros tantos eu fui muito, muito feliz. E que assim será até o fim dos meus dias. Sem nenhuma saudade – e são muitas, muitas – eu teria certeza de que eu nunca soube o que é viver.
Após o fim de um relacionamento, ficam as coisas ruins e tristes que impedem a reconciliação, e também as coisas boas que de alguma forma parecem impossíveis de serem vividas novamente.
As coisas ruins e tristes são processadas e esquecidas com o tempo. Já as coisas boas… Com o tempo, são guardadas na lista de boas memórias, com muito carinho, para que a vida siga em frente.
Diga-me, mar, O que fazer Com estas ondas de felicidade que me banham, Que não sei se são pura ressaca Ou se é assim que agora hão de ser.
Diga-me, mar, Se do amor já é chegado o tempo, Para em tuas águas recomeçar Rumo ao destino por mim desejado, A mercê do poder e da força dos teus ventos.
A palavra de hoje é ressignificar. E como todo mundo está falando desta palavra sem se dar ao trabalho de entender o processo como um todo, resolvi meter a minha colher neste angu cheio de caroços.
Vamos começar por entender o que não é ressignificar. Ressignificar não é olhar para algo que aconteceu na tua vida e dizer que tudo é culpa ou responsabilidade do outro. O nome disso é negação.
Não é possível ressignificar sem vencer a fase da negação. Ressignificar é assumir o teu protagonismo na tua história. É perceber que muita coisa do que te aconteceu tem que ver com teus atos e omissões. E somente diante deste protagonismo, que não pode ser fingido (precisa ser de fato entendido, aceito e internalizado), é que podemos ressignificar qualquer coisa que seja.
“Poxa! Fulano fez isso comigo!” – Quantos sinais claros de que Fulano iria fazer algo do tipo foram sumariamente ignorados? Quantas vezes você se calou quando deveria falar ou fazer algo? Quantas vezes tentou fazer pelo outro o que ao outro cabia fazer? Quantas vezes você ignorou a tua intuição, a tua voz interior? Quantas vezes você “fingiu que não viu” o que estava bem diante dos teus olhos?
Ninguém aprende lição alguma sem antes entender o papel que representou em determinada situação ou história. Ressignificar é tirar o melhor de algo negativo que aconteceu em tua vida, e isso passa obrigatoriamente pela aceitação não só de teus acertos, mas também dos teus erros. É assim que se cresce. É assim que a tal da maturidade chega. É também assim que chegam a paz e a felicidade.
P.S.: Ninguém melhor para te auxiliar nessa jornada do que um Psicólogo ou Psicanalista.
Enquanto você não se afastar do que não te serve, o que te serve não tem como se aproximar. Leia de novo. Mais uma vez. Entendeu?
Liberte-se! Aceite as coisas e as pessoas como elas são e que você não consegue mudar ninguém a não ser a si mesma. Vá ser feliz! Sim, ser feliz é uma escolha que depende principalmente de você.
Exemplo prático:
“Quero encontrar o amor da minha vida!”, mas está em um “relacionamento” (entre aspas mesmo) 100% focada em alguém que não está nem aí para você, vivendo basicamente de migalhas. Como alguém que esteja de fato interessado em você vai se aproximar?
Se olhe no espelho. Respire fundo. Sinta-se. Ja reparou o quanto você está estressada por conta desse “relacionamento” (entre aspas novamente)? Como é que alguém vai ver o teu brilho se você está apagada em todas as outras direções que não a do “relacionamento” (mais aspas, infinitas aspas). Esquece! Já deu!
Não reclame daquilo que você permite e que já virou até um costume perverso contra si mesma. Tire as aspas da sua vida!
Tuas lágrimas não são motivo de vergonha. Tua dor merece todo o respeito do mundo. Teu receio do futuro é mais do que justificável. Teu medo de que tudo se repita é plausível. Tu estás ferida, machucada, com o coração apertado, e não há como fugir disso. Simplesmente não há.
Quanto mais resistires, pior será. Quanto mais evitares esta onda de sentimentos lancinantes, mais agudos eles se tornarão, e não irão embora enquanto não realizarem dentro de ti a proposta divina e universal da mudança.
Mudança necessária! Não estás vivendo tudo isto por acaso. É imperativo que acredites que a vida está a chamar-te para viver em um novo patamar, que não pode ser alcançado enquanto a dor, que ora age como implacável e rigoroso professor, atinja dentro de ti os seus objetivos.
Sê forte! Tem fé! Acredita na transformação necessária para que chegues ao teu destino. E quando lá chegares, não te esqueças das lições. Aprenda com teus erros e faça de tudo a teu alcance para que eles não se repitam.
É o que te desejo do fundo do meu coração, porque comigo foi exatamente assim. Só quando me entreguei para o que eu sentia e cheguei ao fundo do poço é que me dei conta de que o Deus que tira é o mesmo Deus que dá. Havia um propósito em minha aparente queda. E assim como no meu caso, Deus está trabalhando em tua vida. Tenha fé nisto.
Tu és uma obra de Deus e toda obra de Deus é perfeita. Repousa durante a noite, quando tudo parece ser 100 vezes pior do que realmente é, tendo a certeza disto. Deus é contigo hoje, agora e sempre.
Posso dizer que tenho um livro de cabeceira, e ele se chama “Auto-estima e os seus seis pilares”, do Dr. Nathaniel Branden.
Sei que, normalmente, as pessoas já ficam com um pé atrás quando ouvem falar de livros sobre autoestima (geralmente associam com livros de autoajuda), mas o autor é de fato um dos pioneiros e um especialista no assunto, que vai desde a autoestima até a falsa autoestima.
Eis um pequeno trecho de um dos capítulos iniciais.
A “felicidade ansiosa” é muito comum. A felicidade pode ativar vozes internas que me dizem que não mereço ser feliz, ou que a felicidade não vai durar, ou que estou a caminho do infortúnio, ou que estou matando meus pais por ser mais feliz do que eles já foram, ou que a vida não é isso, ou que as pessoas vão me invejar e me odiar, ou que a felicidade é apenas uma ilusão, ou se ninguém mais é feliz, por que eu iria ser? É exigido muito de nós, por mais paradoxal que seja, que tenhamos a coragem de tolerar a felicidade sem nos auto-sabotar, até a hora em que perdemos o medo dela e compreendemos que ela não nos destruirá (e que não tem necessidade de desaparecer). De vez em quando eu digo a meus clientes: veja se consegue passar o dia de hoje sem fazer nada que possa enfraquecer ou subverter sentimentos bons – e se você “cair do trem”, não se desespere, recupere-se e comprometa-se de novo com a felicidade. Essa perseverança consolida a auto-estima.
Ademais, precisamos confrontar essas vozes destrutivas, e não correr delas; envolvê-las em um diálogo íntimo; desafiá-las a justificarem-se; pacientemente responder-lhes e refutar seus absurdos – lidando com elas como se deve lidar com pessoas reais, e distinguindo-as das vozes do nosso eu adulto.
…
Tendemos a ser muito mais influenciados pelo desejo de evitar a dor do que de experimentar o prazer. O negativo tem muito mais poder sobre nós que o positivo. Se não acreditamos em nós mesmos – nem em nossa eficiência, nem no que temos de bom -, o universo se torna ameaçador.
Como se pode ver, é mais profundo do que ficar se olhando no espelho e dizendo “sou bonito” e coisas do tipo. Aliás, é um livro que nos faz refletir e correlacionar alguns de nossos hábitos e comportamentos com a visão que temos de nós mesmos. Deixa de lado a visão simplista do “cuida bem do seu corpo, logo tem autoestima elevada”, e entra nos detalhes inconvenientes e nos mecanismos de proteção que criamos para justificar e provar o que pensamos sobre nós mesmos.