Avatar de Desconhecido

Madrugada

Nada madrugada,

Tudo cabe,

Tudo arde,

Tudo pulsa,

Certeza vira dúvida,

Dúvida vira silêncio.

.

Na madrugada,

Não há paz,

Não há lenitivo,

E tudo que é vivo

Ao vivo jaz,

Se faz de morto.

.

Na madrugada,

A febre piora –

A vida piora –

E o sangue jorra

Por sobre as memórias:

Beco sem saída.

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Contador de estrelas

Escrevi e continuo escrevendo,

Muitas vezes, não mais no papel –

Nas nuvens e no céu –

Testemunhas das minhas andanças.

.

E eu que já fui criança –

E queria continuar sendo, confesso –

Me deparo com a rudeza da vida adulta,

Com a falta de esperança.

.

Aonde foram parar os sonhos

De um menino então risonho,

Que pensava que algodão doce

Era pedaço de nuvem?

.

Aonde foi parar o que eu nunca fui,

Mas que queria continuar sendo:

Um futuro farto de boas lembranças,

Um homem com o coração menos duro?

.

Valha-me, Deus, tudo é pranto!

Aonde foi parar o encanto

Do contador de histórias e de estrelas,

Que achava que viver era seguro?

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Marés

Satélite meu,

O teu corpo se faz céu,

Sorvo tuas marés.

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Seixos

A frase nem sempre precisa ser dita.

Ela existe e insiste em se fazer presente

Nos atitudes e nos simples gestos que se mostram amiúde.

.

A frase escancara e soleniza sem pompa

O que já foi dito no toque corriqueiro,

No desejo que se esvai líquido e infinito,

Tangenciando as curvas cirúrgicas do tempo,

Rumo ao início de tudo que desde sempre deveria ter sido.

.

Não é sobre dizer eu te amo:

É sobre o rio que busca o mar

E sempre, de olhos cerrados, o encontra.

.

Em nosso leito,

Não resta pedra sobre pedra,

Seixo sobre seixo.

Só queixo sobre queixo,

Só eu e você.

.

E para não deixar dúvidas, mais uma vez,

Insisto na frase que nem sempre precisa ser dita –

E que de mim grita:

Eu para sempre te amo.

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Sussurrando…

Foi no silêncio que tudo aconteceu.

Longe das câmeras e dos flashes.

Ninguém viu, ninguém comentou,

E ficou.

Falou mais alto

O sussurro do amor.

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Caminho em brasas

Eu sei que é segunda-feira

Mas todo o meu desejo

Toda falta que me fazes

Tudo que em mim queima e arde

Jaz vivo a meus pés:

Caminho em brasas.

.

Não há nada que possas me dizer

Nesta comum segunda-feira

Que acalme a serpente

Que trafega em minhas veias

E me traz extra sístoles:

Quero inocular-te.

.

Comigo estou em guerra

E isto é um fato

Uma parte de mim vive de lembranças

A outra vive a espera das tuas cheganças

E por um acaso é segunda-feira

Mas assim é todos os dias da semana.

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A esperar

Olho para o mar

E no horizonte,

Vejo o ir e vir das embarcações.

Não vejo a que eu espero.

Não vejo a que sempre estive a esperar.

.

Olho para o mar novamente.

Desta vez com os olhos marejados.

A saudade escorre pelo meu rosto,

Pelo meu peito, até meus pés,

E me deixa de joelhos.

.

Seguro um punhado de areia

E o deixo escorrer por entre meus dedos.

Sou ampulheta viva

E a minha vida

Por mim está a passar.

.

Olho para o mar mais uma vez.

Quem sabe, talvez?

Entre motivos e porquês,

Há um coração que pulsa alto,

Esperando o amor aportar.

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A noite mais escura

No dia que você se foi,

O Sol se pôs para não mais nascer.

Desapareceram as estrelas,

Os planetas,

A Lua,

As marés,

A esperança,

A fé.

Cessou o vento

E todo e qualquer movimento.

Tudo torto,

Tudo roto,

Por fora e por dentro,

Mundo morto.

A noite mais escura

Foi também a última noite.

Depois dela,

Nunca mais vivi

Um dia.

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Releituras

Eu nos escrevo em poesias,

Que são feito fotografias

De eternos flagrantes.

.

E quando as releio,

Delas faço desejosas súplicas,

Para que tudo reaconteça.

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P.S. 62

Estremeço e enrijeço quando teu nome pulsa no meu telefone.