Avatar de Desconhecido

Ponto de exclamação

Ainda estou aqui

A te esperar

No nosso lugar

Na nossa casa

No nosso chão.

.

Não mudei nada de lugar

Ainda estou aqui

A te esperar

No mesmo ponto

Na mesma estação.

.

A saudade é calvário

Mas teu amor é corolário

Da minha existência

E sim, há paciência

Assim como há sofreguidão.

.

Segura na minha mão

Porque quero e preciso

Dos teus abraços e beijos

Do cheiro da tua nuca

Das batidas do teu coração.

.

Ainda estou aqui

A te esperar

Porque é teu este meu lugar

E chego a salivar

Com este amor que é tudo

(ponto de exclamação!)

Avatar de Desconhecido

Além dos limites

Beber vinho a teu lado

É beber-te

Gota por gota,

Lentamente,

Sabendo que há olhos d’água,

Rios e afluentes –

Até oceanos e mares –

Surgindo a minha frente.

E em tempo,

Meu barco levar-te-á

Até os limites –

E além deles –

Paulatinamente.

Avatar de Desconhecido

Antes que a vida passe

Comprei um sapato novo,

Mas não o uso,

Para que ele permaneça novo.

Talvez fosse melhor

Não ter comprado o tal sapato.

Afinal de contas,

De que vale um sapato novo,

Senão para deixar de ser novo?

Preciso deixar de ser bobo

E usar logo o meu sapato novo,

Antes que a vida passe,

E só ele permaneça novo.

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Sutileza

E o dia amanheceu com gotas de orvalho

(lembranças, momentos, palavras, gostos e cheiros)

Nas pétalas da tua flor.

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Frio

Inverno se fez
há gelo nas ruas e
nos seus olhos

Foto de Patrice Bouchard na Unsplash
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Domingo de inverno

Domingo eu te quero

Domingo eu te tenho

Domingo eu te pego

Domingo não me contenho.

.

Domingo eu te rio

Domingo de ti rios

Domingo de Niterói

Domingo de nós.

.

Domingo

Sempre domingo.

Com mais idade,

Jogaremos bingo.

Mas por ora

No aqui e no agora –

Sem demora –

Existimos e resistimos

Em mais um delicioso domingo.

Niterói/RJ – Brasil

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Mentira poética

E ainda que nunca mais seja, tudo que foi já valeu por tudo que seria.

Poético e doloroso.

(mentiroso também)

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Germinando

E se as lágrimas forem necessárias para fazer a vida germinar?

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O tempo

O tempo –

Essa caixa imaterial em que vivemos –

Que vai da ordem ao caos em instantes.

Fascinantes os acham que o tempo é amigo, ou abrigo, ou qualquer coisa do tipo.

O tempo está sempre indo, e com sorte vira memória, história ou arrependimento.

O tempo é a vida indo em direção à morte sem precisar de nenhum consentimento e sem qualquer constrangimento.

E quando damos por nós, foi-se o tempo. Também fomos nós. Não há alento.

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Amar em paz

Impulsionado pela dor da minha alma

Meu coração brada impoluto por socorro.

Pede encontros,

Pede beijos,

Pede abraços,

E gracejos

Do amor da minha vida,

Daquela que é de mim parte indissolúvel.

.

Não serão a distância,

O vil metal,

Ou mesmo a ignorância

Capazes de aplacar o fogo

Que corre em minhas veias,

Que faz pulsar meu coração.

.

Não serão a covardia,

A detratação raivosa,

Ou mesmo a hipocrisia

Capazes de macular a chama,

Que queima a minha cama,

E que a chama até nos confins do mundo.

.

É amor, semi deuses e juízes!

Ouçam os sinos e sinais da vida!

É amor dos mais ridículos,

E se digo que amá-la é meu ofício,

É porque estou imbuído da autoridade de quem ama.

.

É amor e dele não desisto.

É amor que para o infinito conclama.

É amor de uma vida inteira.

É amor de quem verdadeiramente ama.