Posto que quando se ama
A distância se mede em metros
Mas em horas, minutos, segundos…
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac…

Posto que quando se ama
A distância se mede em metros
Mas em horas, minutos, segundos…
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac…

Eu olho para o céu e vejo
No infinito a minha finitude
Perplexidade diante de coisas tão pequenas
Fraqueza, apesar de plena e total saúde.
Nas sombras eu me escondo aturdido
Quero ver o Sol, mas não quero luz
Cruel e real tua atordoante presença
Que mesmo sem ter cor, muito seduz.
Desejar-te é desafiar todas as barreiras
Vencer o tempo, fugir da cruz
Animalizado instinto, puro sentimento
Revelar meu carrasco, sem tirar seu capuz.
Deixar o fogo queimar a carne
Deixar a alma arder em torpor
Trocar o certo pelo incerto atraente
Trocar o vazio pelo anseio, impávido pavor.
Sucubus real, tangível e sedutor
Filha das trevas, suga o sangue de minhas feridas
Cospe em minha face, sem nenhum valor
Prossegue caminhando para sempre sem vida.
Eu olho para o céu e vejo
Fragmentos de mim, totalidade do teu ser
És agora mais forte que antes
Êxtase alucinante, não me perdoo por te querer.
E depois me calo,
O silêncio tem mais à dizer
Fria pele, passa-me teu calor
Já estou morto, muito antes de morrer.

Relativo
Constrito
Infinito
Eterno
Tempo
O senhor de todos
Os momentos
Razão das lembranças
E dos esquecimentos
Acreditando ou não
Ainda há tempo
Pois que fique claro
Que aguardo ansioso –
Confesso! –
Não sou brisa leve
Sou retumbante vento.

Andando pela rua
Mente distraída
Ausente do mundo
Corpo do avesso
Sinto teu perfume
E respiro fundo…
Continuo vivo
Reconheço
Em casos extremos
Da mais pura saudade
O vento tráz de onde for
O que remete à felicidade
Grande benfeitor
Esse tal vento
Que distrai a saudade
Salva dias
Cura feridas
Enquanto não acontece
O que faz falta
O que não se mata
A todo momento.

Não sabes onde fica?
Não sabes como lá chegar?
Explica-me, então
Por que quando estamos lado a lado
Tal pergunta não faz sentido se perguntar?
E estarmos lado a lado
É algo que fazemos de longe
Que fazemos de perto
Não só porque queremos
Ou simplesmente desejamos –
Precisamos!!! –
Para nos manter vivos
Para tudo fazer sentido
Para vivermos o dia-a-dia
Para renovarmos a esperança
E nesse mundo de rimas e versos
Deparo-me contigo
A me falar do paraíso
De coração, sem improviso:
o paraíso é o lugar,o pontoondenossos lábios se tocame nossos corpos se encaixam(e para lá sempre quero voltar)
Permita-me apenas um adendo –
Jamais um remendo! –
Sem valor científico
E abusando de meu direito de ser
Prolixo:
O paraíso não é um lugar
Para onde vamos
É bem aqui…
Ali…
Lá também…
Mais para o lado…
Em cima…
Embaixo
Tanto faz!
O paraíso é simplesmente
Tão somente
Clemente
Crescente
Valente
Veemente
Univocamente
E urgentemente
Onde estamos
Em qualquer tempo ou lugar.

Há tempos
Que os ventos
Não conspiravam
Na mesma direção
Há tempos
Que as palavras
Algumas vezes duras
Não caiam como benção
Há tempos
Que os sonhos
Que deixavam sem dormir
Não traziam consolação
Há tempos
Que a saudade
Era desespero
E não consolação
Há tempo
Ainda há muito
Tempo
O tempo do amor
Para nosso contento
Obteve, finalmente
O seu deferimento.

Nem em uma vida inteira
Serei capaz de contar
Todos os detalhes
De um segundo vivido
A seu lado
Eu me lembro bem
O tempo parava…
Pena que o tempo
Não parava
De verdade
Só nós éramos
De verdade
Só nós somos
De verdade
Só nós
A verdade
Hoje
Sinto falta do tempo
Que eu não senti
Que passou
Quando eu estava
A seu lado
Que o tempo
Devolva-se
E devolva-me
E devolva-te
E devolva-nos:
Esse tempo é nosso.

Era o sujeito
A protagonista
Tornou-se penumbra
Distorcida
Mas ainda assim penumbra
E com o passar do dias
Ao apagar das luzes
Sob os aplausos
Do medo e da culpa
Tornar-se-á sombra
E talvez assim
Nas sombras
Das sombras
Consiga ressurgir
Renascer
Se eu a verei?
Não sei
Talvez eu me lembre
Do que eu via
Do que eu ardentemente
E eternamente sentia
Talvez, algum dia…
Só o tempo vai dizer.
