Áspera
À espera
A vida
Quem me dera
Ter-te aqui
Agora
Afinal
Seja como for
Sempre antes
Nunca depois.

Áspera
À espera
A vida
Quem me dera
Ter-te aqui
Agora
Afinal
Seja como for
Sempre antes
Nunca depois.

Nada sinto
Ou se sinto
Minto
A tudo me submeto
Aceito
Não nego
E por fim
Nada prometo
Divago
Prolixo
Em mim
Me perco
E se me encontro
Não me acho
Olhos turvejantes
Alma vestida de preto
Puro opróbrio
De mim restou
E na sarjeta
Onde não sei sequer
Quem por bem
Ou por mal
Verdadeiramente sou
Lamento estar vivo
Enquanto lambo minhas feridas
Eis o que o destino
Para mim destinou
Proxeneta de sonhos
Outrora risonhos
Sem lágrimas
Eu choro…
Sem lágrimas
Imploro…
Por uma vida!
Quiçá menos sofrida
Quiça menos desvaída
Quiçá menos seca.

Fui ali
Colher os frutos de nossas promessas
Do que prometemos sem prometer
Vi a árvore majestosa que plantamos
Mais viva do que nunca
Flores, frutos a nascer
E que perfume!
Inebriante, pujante
Dilacerante processo de renascer
Frio na barriga
Causa para lá de resolvida
Embora se insista no sobrestamento do viver
Sim, a árvore da vida
Cura todas as feridas da lida
É o Norte para onde tudo há de correr
E seus frutos
Impávidos, atemporais e resolutos
São a razão e o motivo da própria existência do ser.

Caminhos
Escolhas
Como folhas
Flutuam ao vento
E o tempo
Implacável
Indomável
Segue alheio ao teu diferimento
Sonhos de uma vida inteira
De uma vida inteira cativos
Resplandescendo a teus pés
E pelos teus pés comedidos
Posto que a vida apresenta chances
A tu que tens da vida fugido
Ainda que tenhas decretado a morte
De tudo que ainda há para ser vivido.

Máscaras…
Já não te valem mais nada
Caíram
Despedaçaram-se
Simplesmente sumiram
Vi teus olhos marejados
Na despedida
As gargalhas desmedidas
Abundantes fagulhas e centelhas de vida
O teu olhar de admiração
Que fez tua alma ficar despida
Teu corpo contraindo-se em turbilhão
Enquanto repousas em mim, exaurida
Foram-se todas as máscaras
Mas tu não podes
E nem queres ir mais:
De que adianta ires só de corpo
E tua alma ficar para trás?
E quanto as minhas máscaras
Como bem sabes
Nunca as tive:
Na presença ou na ausência
No sorriso ou no pranto
O amor por ti eternamente reside.

…e a realização de nossos sonhos e desejos mais profundos também é!
Já imaginaram um paraquedista sem medo? Todo paraquedista sabe que, mesmo depois de realizados 10.000 saltos, a probabilidade de um acidente acontecer continua a mesma se as devidas precauções não forem tomadas. E é justamente o medo de morrer que faz com que o paraquedista continue sendo cuidadoso, talvez até mais cuidadoso do que no início, ainda que vá se tornando cada vez mais experiente.
E se assim não fosse? Dobraria o paraquedas de qualquer maneira ou pediria para terceiros dobrarem, não se preocuparia com as condições meteorológicas, e assim por diante. Chances de um acidente? Monumentais.
É importante, entretanto, deixar claro que há uma linha de corte entre o medo prudente, necessário, e o medo irracional, que paralisa e se torna uma “barreira intransponível”. O paraquedista, ainda que com medo, salta, e nesse sentido é o próprio medo que o mantém vivo. Caso fosse controlado pelo medo irracional, não poderia ser paraquedista, ainda que fosse este o seu maior sonho ou desejo. A “barreira intransponível” nos impede de pensar com clareza e racionalidade, e, acima de tudo, nos impede de trazer para a luz tudo aquilo que vislumbramos somente como vultos disformes que perambulam em nossas mentes, nos impedindo de progredir, seguir adiante.
Essa é um exemplo extremo, mas a nossa vida cotidiana é assim. Precisamos ter medo para tomar decisões conscientes, mas não podemos deixar o medo irracional tomar conta de nossas vidas ao ponto de nos paralisar ou nos fazer tomar decisões equivocadas.
Moral da história: o medo é nosso amigo. Difícil imaginar alguma situação sem risco (viver é um risco e sempre haverá riscos), e por isso mesmo precisamos do medo para seguir em frente da maneira mais segura consciente possível. E o mas importante de tudo: que não sejamos dominado pelo medo, e que façamos dele nosso aliado na conquista de nossos sonhos e desejos.

…e transforme-os em realidade!
Lembra daqueles sonhos? Sim! Esses mesmos que você guarda aí dentro faz um tempão…
O que você fez ontem para transformar os seu sonhos em realidade? O que fará hoje? E amanhã?
Não fique apenas nos sonhos! Faça acontecer. Lute para que sua vida não seja apenas um conjunto de lembranças do que poderia ter sido. Até porque não serão só lembranças… Serão lembranças permeadas de amargura.
O dia é hoje! Não perca mais tempo! Siga seus sonhos! E que os problemas do dia-a-dia, do cotidiano, não sirvam como desculpa para que você não viva sua vida em toda sua plenitude.

Não temo a morte
Temo estar morto em vida
Em alimentar feridas
Que sequer precisariam existir
Temo que me falte coragem
Para seguir minha vontade
E que o que fogo dentro de mim arde
Cozinhe meu destino
Temo que me sobre medo
De ir, de ficar
De esperar, de avançar
Medo do que nem sei se existe
Temo temer
Essa é a verdade
Temo ser um grande e falso sorriso
E encontrar um medíocre abrigo
Que assassine minha esperança
Temo temer
Tudo que eu poderia viver
E ainda que o tempo não seja meu amigo
Não é meu maior inimigo
Posto que este já sou eu.

Tem gente que acha que amor é doença, que felicidade é ilusão, que arriscar não é permitido, e que a idade e os compromissos são um impeditivo para viver. Tem gente que tem medo de não estar no controle, de flutuar, de borboletas no estômago, de sorrir sem motivo, de sonhar o até então impensável…
Eu? Eu não acho nada. Sei que a vida colocará em meu caminho o que for melhor para mim. Eu simplesmente acredito na minha capacidade de atrair o que é melhor e que nada acontece por acaso. Felizmente, eu já aprendi a viver a vida sem rodinhas. E quando a gente aprende, nunca esquece.

Já ouvi dizer que é a morte que nos iguala. Ricos e pobres, pretos e brancos, vamos todos morrer. TODOS. Não há exceção.
Sempre me incomodou essa visão pessimista. Será que só somos iguais no fim de tudo? O que nos iguala no hoje, no agora? E cheguei a uma conclusão muito simples. Tão simples que chega a ser assustadora. O que nos iguala é o amor.
O amor não repara nesses detalhes. Sim! Não repara! O amor não repara e é irreparável. Ele simplesmente não se importa. Ele chega, quer seja na forma de uma paixão arrebatadora ou como uma brisa leve, e decide ficar. Essa é uma das características mais marcantes do amor. Ele fica. Não faz perguntas, não precisa de uma explicação, e não pede autorização. Ele pode. Ele decide. Ele é decisivo. Ele é agente de mudança. Ele é a mudança.
Não importa o tempo. Não importa a distância. Não importa a idade. Não importa a fase ou o momento da vida. Quando ele chega, ele chega. Ele existe. Ele é. Negá-lo é negar-se. Fugir dele é fugir de si mesmo. Esforço inútil. O amor vence. Sempre. O amor é em sua essência um vencedor. Ele não busca a vitória. Ele é a vitória.
Então, permita igualar-se antes que a morte chegue. Não tenha medo. Jamais! Ame! Seja amado! Entregue-se! A vida se encarrega de acertar os detalhes. E assim, sorria diante de sua morte, sabendo que foi e viveu tudo que poderia viver em vida.
