Menino sentado no muro
Vivendo o futuro
Antes que ele aconteça
Os pés descalços
As mãos para o alto
Tentando pegar uma estrela
E agora que virou adulto
É só mais um vulto
Tentando meninar
Revivendo o passado
Antes que desaconteça.

Menino sentado no muro
Vivendo o futuro
Antes que ele aconteça
Os pés descalços
As mãos para o alto
Tentando pegar uma estrela
E agora que virou adulto
É só mais um vulto
Tentando meninar
Revivendo o passado
Antes que desaconteça.

E nas madrugadas
Nunca, nunca frias
Sentiam-se invisíveis e imunes
Protagonistas de seus próprios dias:
Nada, nada temiam
Pois o medo não lhes reconhecia.
E nas vielas quase escuras
Em retas e curvas
Seus corpos queimavam
E se consumiam
Sem nenhum pudor –
Puro resplendor –
Que em seus corpos flamejantes ardia.
Cegavam olhos curiosos
De pregadores –
Pecadores! –
Zelosos tentando manter ao longe
Aqueles que tinham a galhardia
De ser a soma fecunda e profunda
Do estarrecedor desejo que a eles consumia.
Tendo a Lua como única testemunha
Da sua luxúria e devassidão
Não se importavam
Em fazer ouvir aos outros
Os inúmeros
“Eu te amo”
Ditos entre suas peles e almas despidas.

Enquanto você vive sua vida
Como se nada estivesse acontecendo,
Eu vou carregando as dores de nós dois.
E até nisso eu me iludo…
Não há dores de nós dois.
Há só a minha dor
E ela dói muito.

P.S.: Poesia antiga, mas a poesia mais dolorosa e real que já senti em minha vida.
Vou me embora
Porque já passou da hora
E eu joguei meus sonhos fora
Em uma lata de lixo.
Vou me embora
Porque na minha memória
Já não há nenhuma história
E meu coração bate fixo.
Mas acima de tudo vou me embora
Porque se apagaram as luzes de outrora
E a única coisa que me revigora
É deitar-me aos pés de um crucifixo.

Você conhece verdadeiramente as pessoas não quando está no topo, mas quando está atravessando dificuldades.
Quando enfrentei dificuldades, contava nos dedos de uma mão os que estavam do meu lado. Quando estava melhor, vivia cercado de pessoas que eu sequer conhecia e que tentavam se passar por meus amigos.
E talvez o grande segredo da vida esteja no meio do caminho. Ter o suficiente para compartilhar com a familia e os amigos, mas não ter demais ao ponto de atrair os urubus.
Obrigado, Deus, por me ensinar isso. ❤️
P.S.: Nada pessoal contra os urubus. Eu sou flamenguista. 🙂
P.S. 2: Que fique claro que isso não é uma indireta para ninguém.

Quem sabe ficar genuinamente feliz diante da felicidade dos outros já zerou a vida e nem se deu conta disso.

Não é sobre ter
É sobre ser
Porque meu ser
É o que de fato tenho.
Em alguns momentos
Não fui
Em tantos outros
Fui aquém
E também além.
E nestes altos
E nestes baixos
Nas cirandas da vida
Vou me tendo:
Mas sei que o que tenho hoje
É diferente do que tinha ontem
E amanhã será diferente também.

Eu vi a birra da criança
Eu vi a alegria dos bate-bate
Eu vi os escorregadores e os balanços
Eu vi os cachorros rolando na grama
Eu vi o senhor e seus passarinhos
Eu vi as flores e as cutias
Eu vi o casal se beijando ardentemente
Eu vi o pipoqueiro e seu carrinho
Eu vi o coreto e a igreja matriz
Eu vi o moço que vendia balas e balões
Eu vi o lago e os peixinhos.
E ali, bem ali
Bem no meio daquele campo
Eu revivi a minha infância
Cheio de saudades de quem deste mundo
Já se foi sem mim.

Eu convido a vida para essa dança
Mas eu mesmo não sei dançar
É que vi nessa foto
Nos cabelos grisalhos
Na leveza trazida pelo passar dos anos
A vida em sua excelência
O futuro onde quero chegar
Quero ser a melhor versão de mim mesmo
E se no caminho eu me atrapalhar
Ou mesmo me cansar
Me faz um favor, vida
Me convida para dançar?

Comprei panelas novas,
Porque as panelas da minha falecida avó
Já pareciam muito velhas.
Eu culpava as panelas velhas
Por não conseguir fazer as receitas da minha avó,
Que tinha ido embora bem velha.
Não consegui.
As panelas novas de nada adiantaram.
E foi então que eu percebi
Que nunca foram as panelas:
Nem as novas e muito menos as velhas.
Minha avó conseguiria fazer com as novas
O que ela consegui fazer tantas vezes –
Infinitas vezes! –
Nas panelas velhas.
E então eu chorei.
Choro de neto.
Quero de volta as coisas velhas:
Minha avó e suas panelas.