Avatar de Desconhecido

Nuvens cinzentas

As nuvens –
Antes cinzentas –
Assopram-me em direção ao sol.

Justo o sol,
Que sempre lá esteve.
Justo o sol,
Que das nuvens independe.

Mas eis que voar por entre
As nuvens densas e cinzentas,
Fez-me valorizar ainda mais o sol,
Que me aquece,
Que me remexe,
E minha pele aquece,
E faz bater meu coração.

Queria eu ter entendido antes,
Que as nuvens então cinzentas,
Eram catalisadoras da minha ascenção.

(querendo eu ou não)

Pelas nuvens cinzentas eu ascendi,
E o sol tudo em mim acendeu.

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Anil

Volta e meia,
Visitas-me em sonhos.

Interagimos,
Nos sentimos –
Existimos! –
Pelo menos durante a madrugada anil.

E quando o dia seguinte se acorda,
Fica a presença,
O perfume,
O toque…
Fica até a tua voz!

Fica tudo de quem para sempre se foi,
Mas que de mim nunca partiu.

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Autossabotagem

E se…
Vai que…
Quem sabe?
Será?
Talvez…

No mundo das escolhas,
No palco das ilusões,
No futuro que se altera
Diante do sim e do não,
A vida segue resoluta,
Diante da amarga autossabotagem
Que é não tomada de uma decisão.

Qualquer coisa
É só culpar o destino
E deixar tudo por isso mesmo:
Café frio sobre a mesa
Adoçado com lágrimas ácidas e salgadas
Que brotam do coração.

A felicidade dá medo;
Todo o resto não.

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Pedra Fundamental

Sair de cabeça erguida,
Brindar a integridade,
Degustar a verdade,
Manter a sanidade,
Ver as luzes da cidade
E sentir orgulho do eu que já não mais sou.

Porque este eu,
Este que não mais sou,
Lutou como sabia,
Tentou tudo que lhe cabia,
E na sua derrota aparente,
Surgiu vitorioso um dia.

Não venceu ninguém,
Posto que com ninguém competia.

Não humilhou ninguém,
Posto que assim se humilharia.

Foi só um alguém,
Que verdadeiramente existia.

E hoje, mais forte,
Mais valente,
Mais amoroso,
Olho para o eu que já não sou
E agradeço a Deus de joelhos por já ter sido.

Porque tudo que eu era
É hoje pedra fundamental
Do que vivo,
Do que sinto,
Do que acredito,
E de tudo mais que eu já sou,
E de tudo mais que eu ainda serei.

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Orvalho

Vapor de água que se condensa

E escorre por entre tuas pernas.

Todos os dias tu me orvalhas;

Todos os dias eu me hidrato;

Todos os dias és um fato;

Um oásis que me inunda e se esbarra

Em tudo que de mais sacro há em mim.

Minha seiva,

Meu tormento,

Meu alimento:

Bebo-te,

Trago-te,

Fodo-te…

Dia após dias,

Do início ao fim.

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Obedeça à sinalização

O inconformismo

Que tantas vezes me bateu à porta

Fez-me bater na porta

Até eu bater a porta

Para nunca mais abri-la.

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Não precisamos um do outro

Toda vez que te procuro,

Saibas que é porque te quero

E te quero muito.

E quando me procuras,

Também sei que é porque me queres

E me queres muito.

Tanta querencia –

Nenhuma sofrência –

Não é este o melhor dos mundos?

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Dona das flores

Tu és dona das flores

Que trazes quando chegas

E que deixas quando vais.

És o jardim onde quero ser sepultado,

O cálice que faz-me vivo,

E tudo de melhor que tenho desfrutado.

Tu és a dona das flores,

Que rega-me sem pudores,

E até em teus espinhos

Não sangro: me curo.

Tu és a dona das flores,

Que explodem em uma miríade as cores

No meu coração, na minha alma,

Na terra que ofereço fecunda

Para nossos brotos ainda por nascer.

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Caudalosa

Não era para dependermos das nuvens.

Era para estarmos acima delas,

Onde há sol o ano inteiro.

E ainda assim,

Que a chuva nos lave,

Que nossos lábios se beijem,

E que a água que desagua por entre tuas pernas,

Pelo rio onde navego todo e inteiro,

Leve-me para a foz deste úmido e caudaloso pesadelo.

(sonho)

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Amargos e doces

E não é que a vida é assim?

Dias amargos.

Dias doces.

Seriam amargos os dias amargos

Não fosse o doçura dos dias doces?

Seriam doces os dias doces

Não fosse o amargor dos dias amargos?

O contraste me faz sentir vivo.

É assim que vivo minha vida.

É assim que me aproximo de outras vidas.

Dias amargos e dias doces,

Porque a vida é assim

Tanto para você

Quanto para mim.

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