Relativo
Constrito
Infinito
Eterno
Tempo
O senhor de todos
Os momentos
Razão das lembranças
E dos esquecimentos
Acreditando ou não
Ainda há tempo
Pois que fique claro
Que aguardo ansioso –
Confesso! –
Não sou brisa leve
Sou retumbante vento.

Relativo
Constrito
Infinito
Eterno
Tempo
O senhor de todos
Os momentos
Razão das lembranças
E dos esquecimentos
Acreditando ou não
Ainda há tempo
Pois que fique claro
Que aguardo ansioso –
Confesso! –
Não sou brisa leve
Sou retumbante vento.

Durante um ano inteiro
Executamos a nossa música
Lembra?
Mais ou menos assim:
…
Eu te amo
…
Água na boca
…
Delícia
…
Saudades
…
Gemidos
…
Voz rouca
…
Cheiro, calor, sabor, comichão, sufoco
Só para economizar reticências!
Transcrita
Minha partitura
Minha mais essencial
E atemporal
Essência
Ao longe
A melodia
O ritmo
A harmonia
O clássico
O meio sem jeito
Mas acima de tudo
Pretérito
Presente
Futuro
Muito mais do que perfeito.

Tanta gente com pressa de tudo
E o essencial sendo deixado na calçada
Um dia o vento e a chuva levam
Quem sabe um dia
Não restem nem vestígios do

E eu vi ali
Naquele passarinho
Que parecia não ter ninho
O que eu queria ser
Voar alto
Enxergar longe
Bem além de onde o sol se esconde
Quando chega a hora de dormir
E assim, cresci
Voei de mim
E percebi que sou sem fim
Sou sempre recomeço
Essas pequenas coisas
Que não tem preço
Dentro do meu coração as aqueço
Sempre as levo comigo
Meu passarinho amigo
Mensageiro do infinito
És o universo ouvindo meu grito
O amor florescendo do meu avesso.

Se preciso explicar
E argumentar
E pedir
Para não ir
Ou pedir
Para voltar
Se preciso dizer
O que sinto
E não desisto
De demonstrar
E me desculpo
E me culpo
Pelos muros
Que não criei
E insisto em derrubar
Realmente
Preciso
Precisar
Ser mais conciso
Dar espaço
Ao sorriso
À vontade de tocar
Sendo bem preciso
É fato que preciso
Simplesmente
Ver-te precisar.

Chuva lá fora…
E eu te querendo
Desaguando em mim
Chove, chuva…
Chove… Chove…
Mas eu sei que o que te molha
É a flor do meu jardim.

Dormir
Anestesiar
Deixar de existir
Vai que algo muda
Enquanto não estou
Nem aí?
E ao mesmo tempo
Sou puro pensamento
Querendo despertar atento
Para saber se algo mudou
Se surgiu algum alento
Enquanto eu não estava
Por aí…
Nem aí
Nem aqui
Nem lá
Nem cá
Não adianta
Nem tentar
Até no sonho
Sonho para sonhar
Que não estou
Ou que não sou
Sempre
Invariavelmente
Em todo
E em qualquer lugar
Por ti.

There is an angel
And a demon
Living inside me
Choose wisely –
No denying! –
What you are daring to see.

De joelhos
Minha fraqueza
Meu cansaço
Eu confesso
E rogo por perdão
Do amor em mim
Sempre manifesto
E que agora
Faz tremer
Meu coração
Que deságua
Em sangue
De meus olhos
Funestos
Eis-me aqui
Ao léo
Diante deste
Tenebroso
E assombroso
Céu
Firmamento?
Puro tormento
Cilício da alma
Cruz do que sou
Não há nada
Por inteiro
Todo sangue
De mim
Já jorrou
E que essa dor
Seja cura
Para meu corpo
Ante a súplica
Que dessa carcaça
Emudecida
E apodrecida
Ainda ferozmente
Urra
E que o amor –
Ora carrasco
Ora salvador –
Purifique a alma
E traga-me a calma
Para acreditar
Ser concebível
Ainda que impossível
Amar sem sentir
Ou sem ser
Pura
E infinita
Dor.
