Avatar de Desconhecido

Pedra Fundamental

Sair de cabeça erguida,
Brindar a integridade,
Degustar a verdade,
Manter a sanidade,
Ver as luzes da cidade
E sentir orgulho do eu que já não mais sou.

Porque este eu,
Este que não mais sou,
Lutou como sabia,
Tentou tudo que lhe cabia,
E na sua derrota aparente,
Surgiu vitorioso um dia.

Não venceu ninguém,
Posto que com ninguém competia.

Não humilhou ninguém,
Posto que assim se humilharia.

Foi só um alguém,
Que verdadeiramente existia.

E hoje, mais forte,
Mais valente,
Mais amoroso,
Olho para o eu que já não sou
E agradeço a Deus de joelhos por já ter sido.

Porque tudo que eu era
É hoje pedra fundamental
Do que vivo,
Do que sinto,
Do que acredito,
E de tudo mais que eu já sou,
E de tudo mais que eu ainda serei.

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Orvalho

Vapor de água que se condensa

E escorre por entre tuas pernas.

Todos os dias tu me orvalhas;

Todos os dias eu me hidrato;

Todos os dias és um fato;

Um oásis que me inunda e se esbarra

Em tudo que de mais sacro há em mim.

Minha seiva,

Meu tormento,

Meu alimento:

Bebo-te,

Trago-te,

Fodo-te…

Dia após dias,

Do início ao fim.

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Não precisamos um do outro

Toda vez que te procuro,

Saibas que é porque te quero

E te quero muito.

E quando me procuras,

Também sei que é porque me queres

E me queres muito.

Tanta querencia –

Nenhuma sofrência –

Não é este o melhor dos mundos?

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Dona das flores

Tu és dona das flores

Que trazes quando chegas

E que deixas quando vais.

És o jardim onde quero ser sepultado,

O cálice que faz-me vivo,

E tudo de melhor que tenho desfrutado.

Tu és a dona das flores,

Que rega-me sem pudores,

E até em teus espinhos

Não sangro: me curo.

Tu és a dona das flores,

Que explodem em uma miríade as cores

No meu coração, na minha alma,

Na terra que ofereço fecunda

Para nossos brotos ainda por nascer.

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Caudalosa

Não era para dependermos das nuvens.

Era para estarmos acima delas,

Onde há sol o ano inteiro.

E ainda assim,

Que a chuva nos lave,

Que nossos lábios se beijem,

E que a água que desagua por entre tuas pernas,

Pelo rio onde navego todo e inteiro,

Leve-me para a foz deste úmido e caudaloso pesadelo.

(sonho)

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Amargos e doces

E não é que a vida é assim?

Dias amargos.

Dias doces.

Seriam amargos os dias amargos

Não fosse o doçura dos dias doces?

Seriam doces os dias doces

Não fosse o amargor dos dias amargos?

O contraste me faz sentir vivo.

É assim que vivo minha vida.

É assim que me aproximo de outras vidas.

Dias amargos e dias doces,

Porque a vida é assim

Tanto para você

Quanto para mim.

Banoffee com espresso duplo
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Vão

Algumas de nossas coisas

Só nos fazem falta

Quando já não são mais nossas coisas.

Que fim levaram?

Para onde vão?

Agora, que já se foram,

Só restou o vão.

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Obrigado por ter despedaçado o meu coração – Fábio Teruel

Está com o coração doendo? Veja esse vídeo.

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Dias à frente

Dias lentos, vagarosos

Dias vividos, sentidos

Dias com sentido

Dias cheios de alento.

Dias em que o vento –

Sempre atento ao tempo –

Sussurra em meus ouvidos

Palavras maravilhosas:

“Não há mais perigo

Agora, é contigo

Siga em frente.”

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As saudades me fazem viver

Uma das coisas que descobri é que algumas pessoas seguem comigo mesmo que já tenham ido para o céu ou estejam longe fisicamente. E elas mostram sua presença do nada, em situações cotidianas e corriqueiras.

Comer aquele queijo, andar naquela praia, ir naquele parque, tomar aquele café, trocar aquele sorriso, realizar aquele sonho que seu irmão nunca teve a chance de viver, e assim descobrir que fica sempre um pouco do outro dentro de mim, e que sempre fica dentro do mim um pouco do outro, independente da minha vontade.

Quando eu era mais novo, escrevi um “livro” (eram páginas de uma impressora devidamente encadernadas). Dediquei este “livro” a meu irmão, que foi para o céu com apenas 8 anos de idade, com os seguintes dizeres:

“Tempo e distância são nada entre nós.”

Continuam não sendo. Nunca serão.

De vez em quando, eu fico triste. Não estou falando do meu irmão especificamente, mas porque me parece que envelhecer é acumular saudades. E toda a vez que eu sinto qualquer tipo de saudade, eu acredito mais ainda em Deus. A saudade me faz acreditar na vida eterna, no paraíso, e me faz acreditar que, algum dia, de alguma forma, eu vou voltar a sentir e a ter bem perto de mim aqueles que deixaram partes da minha vida congeladas quando se foram ou se afastaram.

E ainda assim, eu quero viver todas as minhas saudades. Delas não me desapego, porque a saudade me faz lembrar nos meus piores dias que em outros tantos eu fui muito, muito feliz. E que assim será até o fim dos meus dias. Sem nenhuma saudade – e são muitas, muitas – eu teria certeza de que eu nunca soube o que é viver.