Mude de opinião quantas vezes forem necessárias. Não tenha compromisso com o erro. Desapegue-se daquela “velha opinião formada sobre tudo”. Não crescer é do ego. Metamorfosear é da alma. 🙂

Mude de opinião quantas vezes forem necessárias. Não tenha compromisso com o erro. Desapegue-se daquela “velha opinião formada sobre tudo”. Não crescer é do ego. Metamorfosear é da alma. 🙂

Azul…
Única…
Orbita-me:
Sou teu.

Tudo era feito de luz
E nossos caminhos tão iluminados
Que de olhos fechados conseguíamos ver
Não eram as luzes da cidade
Eram as luzes da felicidade
E todos os outros conseguiam perceber
Nos viram
Nos vimos
Fomos marcados
Iluminados:
Só nos basta ser.

Sim, faz 15 anos. Eu estava no meio de uma aula quando fui informado que meu pai havia falecido. Eu ajoelhei pela primeira vez na minha vida não por clemência a Deus, mas por pura e completa falta de força. Acho que meu coração parou naquele dia, ainda que por um mísero segundo.
Meu pai era tão importante (para mim) que foi sepultado em um feriado. Ainda me lembro de estar no meio do parque em Pelotas, na semana da Farroupilha, quando um garçom veio me perguntar se eu era dali, se estava me divertindo. E eu disse: “Vim sepultar o meu pai.” O garçom chorou, eu chorei, quem ouviu chorou. Era triste. É triste. Era um adeus terreno.
Associei a morte de meu pai a uma música, composta por um baterista (Mike Portnoy) por conta da morte de seu pai. Eu não consigo ouvi-la até o final. Só trechos e mesmo assim me emociono.
Não choro pelo luto. Choro pela saudade mesmo. Um dia a gente se encontra, meu velho! Certeza!
De todas as coisas lindas da vida –
E na vida não faltam coisas lindas –
A vida é sempre das coisas a mais linda.
Ora feliz, ora triste
Ora crente, ora descrente
Tudo permanece, tudo existe
Tudo permeia, tudo insiste
Tudo é porque é
Tudo é vivo
Tudo pulsa
Tudo.
Tenho medo de perder a vida
Não porque tenho medo da morte,
Mas porque há muita sorte
Em se poder ter a vida.
Que os sorrisos invadam!
Que as lágrimas corram soltas!
Pois tudo é parte das coisas lindas
E do privilégio que é poder achar que são lindas
As coisa mais lindas que são a própria vida.

Há tantas poesias e tantas memórias,
Tantas histórias que fazem o fim
Não ter fim.
E eu tinha medo disso.
Medo de ser consumido pelo passado,
Pelas recordações,
Pelos momentos muito mais do que felizes
Que vivemos juntos.
Hoje, não mais.
Aprendi tanta coisa,
Experimentei tanta coisa,
Vivi tanta coisa boa,
Cresci tanto a teu lado…
Como posso ignorar isso?
O fim foi estranho –
Sabemos disso.
Foi um fim sem fim,
E assim, precisei criar um,
E nele você foi abduzida por ETs.
Talvez eles estejam fazendo experimentos
E estudando o seu DNA,
Mas os ETs gostaram tanto de você –
Feito eu –
Que decidiram não te devolver.
Eu também não devolveria,
Confesso.
Talvez você esteja me vendo de onde está,
Mas isso não importa.
A menos que os ETs tenham lavado sua memória,
Sei que lembra das coisas como eu me lembro,
E isso que é o importante:
Mesmo ausente, ser presente na vida de alguém.
Que os ETs cuidem bem de você.
Você merece e sim, eu sei:
Você não é mais do meu mundo.

Eu sou assim mesmo
Na base do vai ou racha
Não tenho muito tato
Para lidar com o meio termo
“Como está o seu café?”
Se está meio morno
Está ruim
Se está meio ralo
Está ruim
O meio termo
É meio bom
E tudo que é meio bom
É inteiramente ruim.
Ao andar sozinho
Percebi detalhes do caminho
Fui capaz de ouvir meus passos
Observar minha respiração
E o ritmo do meu coração:
Eu me senti
Ao andar sozinho
Passei por flores e espinhos
Becos, avenidas e praças
Do chão batido ao asfalto
Do sapê ao concreto, do aço à lata:
Eu senti o mundo
Ao andar sozinho
Provei todas as cores e temperos
Beijos e abraços intensos, insossos e acesos
Camas desarrumadas e fartura sobre as mesas
Tudo passageiro com retrogosto definitivo:
Eu senti o passar do tempo
Ao andar sozinho
Nada controlei ou antecipei
Nada esperei e muito recebi
E com o peito inundado pela esperança
Tornei-me da minha vida autor e protagonista:
Eu me reconheci.

Hoje, reparei nas nuvens
Há tempos não fazia isso
Céu azul de inverno
Nuvens como se fossem de algodão
Sendo levadas pelo vento
Deixou-me curioso a sua leveza
Enquanto nuvem, à mercê do vento
Indo como se soubesse a direção
Ignorando sua própria existência
Seu motivo e razão
Nuvens claras nos dias de sol
Escuras nos dias de chuva
Livres
Felizes
Indo para não se sabe onde
E pensei que eu também gostaria de ser nuvem
Eu queria ir…
Ir…
Mundo afora, sem porque ou motivação
Descobrir aonde o vento faz a curva
E ser insubstancial, nada urgente
No inverno e também no verão
Mas há quem nasça para ser nuvem
E há quem nasça para ser vento
Eu sou vento!
Da brisa suave
Até qualquer grande tormenta
Eu carrego
Eu levo
Eu movo e removo
Eu faço o que tiver que ser feito
Eu simplesmente não me contento.

Já não carrego mais lembranças
Levo comigo os esquecimentos
Que insistem em dar seus ares
Vez ou outra
Ressignifiquei momentos
Bati prosas com o espelho
Guardei meu nariz vermelho
Fugi do circo
Ainda carrego certa culpa
De ter gasto tanto tempo
Admitindo o inadmissível
Vivendo a vida sem viver
Mas agora, vida afora
Vida aflora dos cacos de outrora
Aos poucos me reconstruindo
E meu restaurador tudo pode:
Ele é Deus.
