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Despidas

E nas madrugadas
Nunca, nunca frias
Sentiam-se invisíveis e imunes
Protagonistas de seus próprios dias:
Nada, nada temiam
Pois o medo não lhes reconhecia.

E nas vielas quase escuras
Em retas e curvas
Seus corpos queimavam
E se consumiam
Sem nenhum pudor –
Puro resplendor –
Que em seus corpos flamejantes ardia.

Cegavam olhos curiosos
De pregadores –
Pecadores! –
Zelosos tentando manter ao longe
Aqueles que tinham a galhardia
De ser a soma fecunda e profunda
Do estarrecedor desejo que a eles consumia.

Tendo a Lua como única testemunha
Da sua luxúria e devassidão
Não se importavam
Em fazer ouvir aos outros
Os inúmeros
“Eu te amo”
Ditos entre suas peles e almas despidas.

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Enquanto

Enquanto você vive sua vida

Como se nada estivesse acontecendo,

Eu vou carregando as dores de nós dois.

E até nisso eu me iludo…

Não há dores de nós dois.

Há só a minha dor

E ela dói muito.

P.S.: Poesia antiga, mas a poesia mais dolorosa e real que já senti em minha vida.

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Castigo

Vou me embora

Porque já passou da hora

E eu joguei meus sonhos fora

Em uma lata de lixo.

Vou me embora

Porque na minha memória

Já não há nenhuma história

E meu coração bate fixo.

Mas acima de tudo vou me embora

Porque se apagaram as luzes de outrora

E a única coisa que me revigora

É deitar-me aos pés de um crucifixo.

Fátima – Portugal
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Cuidado com os urubus

Você conhece verdadeiramente as pessoas não quando está no topo, mas quando está atravessando dificuldades.

Quando enfrentei dificuldades, contava nos dedos de uma mão os que estavam do meu lado. Quando estava melhor, vivia cercado de pessoas que eu sequer conhecia e que tentavam se passar por meus amigos.

E talvez o grande segredo da vida esteja no meio do caminho. Ter o suficiente para compartilhar com a familia e os amigos, mas não ter demais ao ponto de atrair os urubus.

Obrigado, Deus, por me ensinar isso. ❤️

P.S.: Nada pessoal contra os urubus. Eu sou flamenguista. 🙂

P.S. 2: Que fique claro que isso não é uma indireta para ninguém.

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For small creatures such as we (extract) – by Carl Sagan

Look again at that dot. That’s here. That’s home. That’s us. On it everyone you love, everyone you know, everyone you ever heard of, every human being who ever was, lived out their lives. The aggregate of our joy and suffering, thousands of confident religions, ideologies, and economic doctrines, every hunter and forager, every hero and coward, every creator and destroyer of civilization, every king and peasant, every young couple in love, every mother and father, hopeful child, inventor and explorer, every teacher of morals, every corrupt politician, every “superstar,” every “supreme leader,” every saint and sinner in the history of our species lived there-on a mote of dust suspended in a sunbeam.

The Earth is a very small stage in a vast cosmic arena. Think of the endless cruelties visited by the inhabitants of one corner of this pixel on the scarcely distinguishable inhabitants of some other corner, how frequent their misunderstandings, how eager they are to kill one another, how fervent their hatreds. Think of the rivers of blood spilled by all those generals and emperors so that, in glory and triumph, they could become the momentary masters of a fraction of a dot.

Our posturings, our imagined self-importance, the delusion that we have some privileged position in the Universe, are challenged by this point of pale light. Our planet is a lonely speck in the great enveloping cosmic dark. In our obscurity, in all this vastness, there is no hint that help will come from elsewhere to save us from ourselves.

The Earth is the only world known so far to harbor life. There is nowhere else, at least in the near future, to which our species could migrate. Visit, yes. Settle, not yet. Like it or not, for the moment the Earth is where we make our stand.

It has been said that astronomy is a humbling and character-building experience. There is perhaps no better demonstration of the folly of human conceits than this distant image of our tiny world. To me, it underscores our responsibility to deal more kindly with one another, and to preserve and cherish the pale blue dot, the only home we’ve ever known

― Carl Sagan – carlsagan.com

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P.S. 48

Quem sabe ficar genuinamente feliz diante da felicidade dos outros já zerou a vida e nem se deu conta disso.

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The Poet And The Pendulum – Nightwish

Floor Jansen: é ou não é a voz de uma anja? Aliás, ela tem várias vozes. Vai do rock rasgado até essa voz de anja… Sem palavras…

P.S.: Para mim, isso é música clássica. De novo: não se assustem com a guitarra pesada.

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Não inerte

Não é sobre ter

É sobre ser

Porque meu ser

É o que de fato tenho.

Em alguns momentos

Não fui

Em tantos outros

Fui aquém

E também além.

E nestes altos

E nestes baixos

Nas cirandas da vida

Vou me tendo:

Mas sei que o que tenho hoje

É diferente do que tinha ontem

E amanhã será diferente também.

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Muito eu vi(vi)

Eu vi a birra da criança

Eu vi a alegria dos bate-bate

Eu vi os escorregadores e os balanços

Eu vi os cachorros rolando na grama

Eu vi o senhor e seus passarinhos

Eu vi as flores e as cutias

Eu vi o casal se beijando ardentemente

Eu vi o pipoqueiro e seu carrinho

Eu vi o coreto e a igreja matriz

Eu vi o moço que vendia balas e balões

Eu vi o lago e os peixinhos.

E ali, bem ali

Bem no meio daquele campo

Eu revivi a minha infância

Cheio de saudades de quem deste mundo

Já se foi sem mim.

Campo de São Bento – Niterói/RJ
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Me convida para dançar?

Eu convido a vida para essa dança

Mas eu mesmo não sei dançar

 

É que vi nessa foto

Nos cabelos grisalhos

Na leveza trazida pelo passar dos anos

A vida em sua excelência

O futuro onde quero chegar

 

Quero ser a melhor versão de mim mesmo

E se no caminho eu me atrapalhar

Ou mesmo me cansar

Me faz um favor, vida

Me convida para dançar?

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