Floor Jansen: é ou não é a voz de uma anja? Aliás, ela tem várias vozes. Vai do rock rasgado até essa voz de anja… Sem palavras…
P.S.: Para mim, isso é música clássica. De novo: não se assustem com a guitarra pesada.
Floor Jansen: é ou não é a voz de uma anja? Aliás, ela tem várias vozes. Vai do rock rasgado até essa voz de anja… Sem palavras…
P.S.: Para mim, isso é música clássica. De novo: não se assustem com a guitarra pesada.
Não é sobre ter
É sobre ser
Porque meu ser
É o que de fato tenho.
Em alguns momentos
Não fui
Em tantos outros
Fui aquém
E também além.
E nestes altos
E nestes baixos
Nas cirandas da vida
Vou me tendo:
Mas sei que o que tenho hoje
É diferente do que tinha ontem
E amanhã será diferente também.

Eu vi a birra da criança
Eu vi a alegria dos bate-bate
Eu vi os escorregadores e os balanços
Eu vi os cachorros rolando na grama
Eu vi o senhor e seus passarinhos
Eu vi as flores e as cutias
Eu vi o casal se beijando ardentemente
Eu vi o pipoqueiro e seu carrinho
Eu vi o coreto e a igreja matriz
Eu vi o moço que vendia balas e balões
Eu vi o lago e os peixinhos.
E ali, bem ali
Bem no meio daquele campo
Eu revivi a minha infância
Cheio de saudades de quem deste mundo
Já se foi sem mim.

Eu convido a vida para essa dança
Mas eu mesmo não sei dançar
É que vi nessa foto
Nos cabelos grisalhos
Na leveza trazida pelo passar dos anos
A vida em sua excelência
O futuro onde quero chegar
Quero ser a melhor versão de mim mesmo
E se no caminho eu me atrapalhar
Ou mesmo me cansar
Me faz um favor, vida
Me convida para dançar?

Comprei panelas novas,
Porque as panelas da minha falecida avó
Já pareciam muito velhas.
Eu culpava as panelas velhas
Por não conseguir fazer as receitas da minha avó,
Que tinha ido embora bem velha.
Não consegui.
As panelas novas de nada adiantaram.
E foi então que eu percebi
Que nunca foram as panelas:
Nem as novas e muito menos as velhas.
Minha avó conseguiria fazer com as novas
O que ela consegui fazer tantas vezes –
Infinitas vezes! –
Nas panelas velhas.
E então eu chorei.
Choro de neto.
Quero de volta as coisas velhas:
Minha avó e suas panelas.
Estranho, não? Se é justamente no cérebro que residem as idéias e todo o emaranhado de estruturas necessárias para a articula-las, como podem algumas pessoas se ouvirem apenas depois que falam?
Não é minha especialidade, mas tenho visto este tipo de fenômeno com cada vez mais frequência. Pessoas que falam sem se dar conta do que estão falando, e pior: sem se darem conta das implicações de suas palavras.
Todas as pessoas são responsáveis por aquilo que dizem. Não pode servir como justificativa o “eu estou repetindo o que me disseram”, ainda mais se levarmos em consideração que o “eu estou repetindo o que me disseram” é seletivo. As pessoas em questão sempre repetem frases e idéias do tipo A. Nunca do tipo B ou de qualquer outro tipo. O mundo que vivem já foi programado, e suas existências mera obra do acaso. São um mal necessário. Não são princípio ou fim. Apenas o meio.
Apesar dos inúmeros avanços em se tratando da ciência como um todo, no campo das idéias, principalmente na área de Humanas, as paixões ainda predominam nos discursos. Ainda que sejam Ciências Humanas, os tais “cientistas” ignoram por completo a realidade dos fatos e qualquer método científico verossímil, preocupando-se apenas em encontrar dados que possam justificar, ainda que de maneira torta, uma determinada linha de pensamento que já tinham como certo antes de iniciados os trabalhos! É a vulgarização da ciência, tal como se os pais de uma criança fossem determinados depois de seu nascimento, e não fossem, de maneira direta, responsáveis pela genética daquele ser.
Em um mundo como este, de idéias órfãs, frases de efeito ganham força e são exaustivamente repetidas, após terem sido cuidadosamente criadas por “cientistas” em seus laboratórios ideológicos. Estes “cientistas”… Estes sim de fato pensam. Ainda que tais frases e idéias passem por cima do óbvio, do notório, conseguem engendrar no senso comum do rebanho varonil uma realidade sem lastro, sem pudor, sem compromisso. E mesmo diante dos fatos, esta realidade passa a ser o tudo. E ainda assim é chamado de louco quem ousa rebate-la.
Mas isso não está acontecendo por acaso. As escolas demoraram anos criando esta matéria-prima acéfala. Especializaram-se nisso. Pesquisas recentes indicam que 50% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais, incapazes de imprimir qualquer tipo de raciocínio critico a uma idéia, a uma determinada linha de raciocínio. E ainda que haja bolsões de esperança em alguns esparsos e cada vez mais raros cantos, a esmagadora massa de ruminantes faz questão de não pensar, e tomar como sua uma realidade que sequer existe.
Não é possível que uma sociedade subsista assim. Em uma sociedade que carece de valores, a repetição de quem fala o que não pensa, que de fato não processa, se torna lei, e essa lei não é só regra, mas também punição para os que nela não acreditam. O “Duvido, logo penso, logo existo” foi substituído pelo “Acredito, logo existe”. E por conta de acreditar e nunca duvidar, afunda-se a sociedade cada vez mais na areia movediça de suas próprias certezas. E as vozes dos que duvidam, cada vez mais abafadas, são entendidas como o choro dos perdedores. Estes sim agora considerados as “aberrações da natureza”.
Duvido de mim. Duvido deste texto. Espero que você faça o mesmo. Questione-o. Aponte seus defeitos. Sugira melhorias. E não faça isso apenas com este texto. Faça isso a cada minuto da sua vida. Questione se você realmente tem direito de não questionar e decida se quer ser ou não cúmplice de seu destino.
Não repita. E se for repetir, antes disso processe. Não deguste apenas queijos, vinhos ou cervejas. Deguste pensamentos também. Permita-se. Crie o instrumental necessário para sua saída definitiva de Matrix.
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Texto de 10 de Agosto de 2015, quando eu ainda acreditava no futuro.

Aquele que se nega a ouvir o seu lado da história, não merece ouvir o seu lado da história.

Que o tempo frio
Sirva de pretexto –
Talvez contexto –
Para unir corpos e almas
Em um só coração.
E então o inverno,
Com seu propósito eterno,
Nas labaredas dos mistérios,
Se tornará verão.

Se você esteve no inferno, talvez leve algum tempo para se adaptar ao paraíso. A paz é uma estranha para quem vive em guerra. Não desista. Acostume-se.

Não há nada de errado:
Não há inocentes,
Não há culpados.
A vida continua doce
Na ira,
Na birra,
Na verdade
E na mentira.
A vida segue como é
E não como se fosse;
E confesso que se talvez fosse,
Não seria tão boa quanto é.
