Beber vinho a teu lado
É beber-te
Gota por gota,
Lentamente,
Sabendo que há olhos d’água,
Rios e afluentes –
Até oceanos e mares –
Surgindo a minha frente.
E em tempo,
Meu barco levar-te-á
Até os limites –
E além deles –
Paulatinamente.

Beber vinho a teu lado
É beber-te
Gota por gota,
Lentamente,
Sabendo que há olhos d’água,
Rios e afluentes –
Até oceanos e mares –
Surgindo a minha frente.
E em tempo,
Meu barco levar-te-á
Até os limites –
E além deles –
Paulatinamente.

Sempre procuro tuas pernas
Quando sinto frio em minhas orelhas.

Prometa estar comigo aos domingos.
Só aos domingos.
Todos os domingos.
Prometa que antes do primeiro raio de sol –
E muito depois do último! –
Tu estarás a meu lado
Corpo colado
Mão com mão.
Porque não há domingos sem ti
E hoje é só mais um domingo…
E domingos tem o cheiro das tuas coxas,
E este cheiro permeia, encanta e semeia
Nas minhas bochechas e no céu da tua boca,
De domingo a domingo.

O vento
Que lambe tua face
Sussurra em teus ouvidos
Palavras malditas
Que tu querias engolir.
.
Tua garganta seca
Tua mão molha
E em sentido anti-horário
Avançam do alto de Vênus
Os dedilhados do teu tormento.
.
Agita a tua batuta
Orquestra o teu ritmo –
Crescendo, crescendo! –
Enquanto teu rubor prepara
Um apoteótico encerramento.
.
Palavras malditas
Repetidas, sentidas
Não é o vento culpado
São teus ouvidos apurados
Revivendo mil momentos.

Vou te chamar de esperança e te convidar para jantar.
Vou te mandar rosas vermelhas e bombons de licor para acompanhar.
Vou te dar bom dia e o teu dia abençoar.
Vou te ouvir com atenção e teus segredos abraçar.
Vou me aninhar em teus braços e me apaixonar.
E pode acreditar: será de verdade.
É só o teu coração deixar.

Te lembro nua em nossa cama,
Enquanto minha fala jocosa implicava:
“Estás com frio? Estás eriçada!”
A mordida em teus próprios lábios me respondeu sem palavras,
Que eras e querias ferro em brasa,
E que de frio em ti não havia ou cabia absolutamente nada.

No teu último pensamento
Nas costuras da fronha do teu travesseiro
Nas dobras do lençol que não rimam com teu corpo
Nas pernas que se movem sem saber para onde ir
É aí que estou.
Porque o dia pode passar sem mim
As risadas podem disfarçar a minha ausência
O trabalho pode abafar as nossas indecências
A música alta pode abafar os gritos da tua alma
Mas é aí que estou.
E não estou aí porque pedi
Não estou aí porque quero
Estou porque me queres
Porque tuas lembranças te inundam
E deixam marcas indeléveis nas tuas coxas.
Estou aí.
No mosaico de pensamentos conflitantes
Na busca interminável e arfante
Por uma droga que possa aplacar
O fogo que dança no meio do teu peito
E que se renova em tuas fugas incessantes.
Estou aí
Continuo aí
Nos teus gozos
Nas tuas cicatrizes
Não obstante.

Premeditei este amor
Acreditei desde criança
Sempre foi meu
E eu já sentia saudades
Antes mesmo de haver lembranças.
E hoje, meu amor
Me lembrei que ainda sou criança
Brincando nos parques teus
Onde tu e eu fazemos lambanças.

Teu livro me espreita da cabeceira, enquanto engulo um farto gole de cerveja.
Comemoro as tuas andanças, as tuas idas e vindas, partidas e chegadas. Você em movimento. Eu em movimento a você.
Os lençóis e a cabeceira ainda estão marcados pelo nosso amor. Testemunhas de gozos incansáveis, de confissões doridas. Coisas inesquecíveis. Coisas feitas e ainda por fazer.
Vejo uma calcinha. O cheiro de menta que emana do aromatizador ecoa pelo quarto e abafa uma única lágrima que desce do meu rosto com fúria no maior estilo “Que porra é essa? Cadê você?”
Saudade. Faz menos de uma hora que você se foi. Foi o tempo de eu dirigir da rodoviária até em casa e ser tragado pela tua ausência. Nem a beleza da Baía de Guanabara vista da Ponte Rio Niterói durante a noite foi capaz de tornar o “eu sei que você já volta” mais palatável. Uma situação indigesta é uma situação indigesta. Não há música que me salve disso.
Passei por duas Operações Lei Seca. Não fui parado em nenhuma delas. Eu deveria ter sido preso por andar embriagado de você, completamente atordoado pelo cheiro do teu perfume que mora no meu carro, na minha pele, nos meus sonhos.
Arrisco um Law & Order: SVU na esperança de ver um episódio novo. Por reflexo, tento alcançar teu corpo a meu lado em uma vã tentativa de me abrigar do mundo e ganhar um coçada nas costas. Você não está aqui como estava pela manhã, como esteve até o nosso “vai com Deus”.
Te espero sabendo que te espero por opção, por amor, por tesão, por teimosia, por esperança. “Tudo é rio”, da Carla Madeira. Capítulo 8. Até você voltar, terminarei de ler o livro.
Durma bem durante a viagem.
P.S.: As panelas que ficaram sobre o fogão eu lavo pela manhã. Volta logo. Quero você.
