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O amor nos iguala

Já ouvi dizer que é a morte que nos iguala. Ricos e pobres, pretos e brancos, vamos todos morrer. TODOS. Não há exceção.

Sempre me incomodou essa visão pessimista. Será que só somos iguais no fim de tudo? O que nos iguala no hoje, no agora? E cheguei a uma conclusão muito simples. Tão simples que chega a ser assustadora. O que nos iguala é o amor.

O amor não repara nesses detalhes. Sim! Não repara! O amor não repara e é irreparável. Ele simplesmente não se importa. Ele chega, quer seja na forma de uma paixão arrebatadora ou como uma brisa leve, e decide ficar. Essa é uma das características mais marcantes do amor. Ele fica. Não faz perguntas, não precisa de uma explicação, e não pede autorização. Ele pode. Ele decide. Ele é decisivo. Ele é agente de mudança. Ele é a mudança.

Não importa o tempo. Não importa a distância. Não importa a idade. Não importa a fase ou o momento da vida. Quando ele chega, ele chega. Ele existe. Ele é. Negá-lo é negar-se. Fugir dele é fugir de si mesmo. Esforço inútil. O amor vence. Sempre. O amor é em sua essência um vencedor. Ele não busca a vitória. Ele é a vitória.

Então, permita igualar-se antes que a morte chegue. Não tenha medo. Jamais! Ame! Seja amado! Entregue-se! A vida se encarrega de acertar os detalhes. E assim, sorria diante de sua morte, sabendo que foi e viveu tudo que poderia viver em vida.

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Nada foi em vão 

Já passamos da fase do “eu te amo”

Hoje, os sorrisos entregam

As vozes denunciam

E os olhares penetram

 

O “eu te amo” ficou pouco

Ficou rouco

Talvez até tosco

Diante de tudo que é sentido

 

Os gestos anunciam

Os abraços reverenciam

Os corpos confrontam-se

Misto de realidade e fantasia

 

Já não é saudade

É necessidade

Cedo ou tarde

Pura e total reciprocidade

 

Fazer o que, então?

São coisas do coração

O nosso primeiro “eu te amo”…

Meu amor, nada foi em vão.

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Saint Patrick’s Day e Heineken

Sempre fui o maior propagandista da Heineken, até mesmo quando ela não era conhecida no Brasil. De alguma forma, a bendita holandesa tinha conquistado o meu coração, e como eu viajava muito mundo afora, tinha virado meu padrão de cerveja, que eu pedia sem surpresas em qualquer lugar que fosse.

Observação: Me arrependo muito de ter feito tanta propaganda. No início, por volta de 2010, meus amigos odiavam. Achavam amarga demais. Hoje em dia, todo mundo só quer saber de Heineken e o preço dela disparou no Brasil. A Heineken virou uma espécie de “cerveja ostentação”. Há gente, inclusive, que bebe Heineken sem gostar de Heineken. Vai entender…

E lá estávamos nós, eu e ela, bebendo Heineken em um Saint Patrick’s Day. Estávamos no Madero, que oferecia chopp da Heineken e da Amstel (que também é da Heineken). Sem a gente se dar conta, uma equipe da Heineken chegou até o Madero para distribuir brindes nesse dia, o que faz todo o sentido por conta da Heineken ser uma “cerveja verde” (as latas e garrafas são verdes).

Conversa vai, conversa vem (não faltava entusiasmo, assunto e nem vontade de estar ali), e percebi que havia uma fotógrafa batendo fotos de nós dois. Era uma fotógrafa da equipe da Heineken. Fui até ela para perguntar o motivo das fotos, e ela me disse que seriam usadas no site oficial da Heineken no Brasil para falar da campanha que eles estavam promovendo.

– Olha, infelizmente você não vai poder usar essas fotos…

– Mas por quê? – a fotógrafa me perguntou surpresa.

– É que trabalhamos na mesma empresa… Não é algo que queríamos deixar exatamente público…

– Nossa… Mas vocês estão tão animados e formam um casal tão bonito… Uma pena… – e começou a apagar imediatamente as fotos de sua câmera profissional. Estava visivelmente frustrada.

Não cheguei a ver as fotos. Eu mesmo fiquei triste com o pedido que precisei fazer. Não queria, mas nem sempre a vida é como a gente quer. Mesmo assim, saímos cheios de brindes da Heineken do Madero. Definitivamente, uma noite especial.

E por que estou contando tudo isso?

1) Para que conheçam o Saint Patrick’s Day – mais detalhes aqui.

2) Para dizer que a Heineken continua sendo a cerveja não artesanal que mora em meu coração.

3) E para contar que quando você está feliz, as pessoas percebem. A nossa aura muda de alguma forma. Ficamos iluminados por assim dizer. Contagiamos os outros. Viramos até modelos por conta disso. 🙂

Bebam com moderação e em casa (nada de festinhas e bares por conta da pandemia). E, sobretudo, sejam felizes! Transbordem felicidade! O mundo fica muito melhor assim.

Cheers!

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Amor de verdade

Entre ósculos e amplexos

De um amor angelical

Puro

Sem igual

Amor apaixonado

Que transcende o conceito

De certo e errado

Fodem

Fodem muito

E levam no dia-a-dia

O prazer como legado

Sempre

Costumeiramente

Abundantemente

Melados

 

Amam-se

Consomem-se

Fodem-se

Esquentam-se

 

São fogo

Combustível

Comburente –

Não se deixam amornar

 

Amor para foder

Foder para amar.

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O retorno

Meu corpo te diz adeus,
Sem palavras, casualmente,
Sem a força de quem diz que vai
Esperando o momento da volta,
Como corpo que espera o coração bater.

E eu que tanto te quis,
Me olho assustado, surpreso,
Para onde foi todo aquele desejo?
Onde está o nosso último beijo?
Eu não sei. Eu não sei.

Só sei que sou agora o mesmo de antes,
De antes de te conhecer.
Puro, sincero, verdadeiro,
Forte, destemido, louco pelo cheiro
Da vida, do amor, de Deus.

Ah! Meus amigos voltaram,
Voltou a paz da incerteza do destino,
Voltou a luta diária pelo pão de cada dia,
Voltou aquela menina da rua que me sorria,
Voltou tudo, ou melhor, eu voltei.

É, agora eu me pergunto,
Será que por um breve período enlouqueci?
Tenho certeza que não!
Foi coisa do coração:
Coisa que dá e passa.

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Succubus

Eu olho para o céu e vejo
No infinito a minha finitude
Perplexidade diante de coisas tão pequenas
Fraqueza, apesar de plena e total saúde.

Nas sombras eu me escondo aturdido
Quero ver o Sol, mas não quero luz
Cruel e real tua atordoante presença
Que mesmo sem ter cor, muito seduz.

Desejar-te é desafiar todas as barreiras
Vencer o tempo, fugir da cruz
Animalizado instinto, puro sentimento
Revelar meu carrasco, sem tirar seu capuz.

Deixar o fogo queimar a carne
Deixar a alma arder em torpor
Trocar o certo pelo incerto atraente
Trocar o vazio pelo anseio, impávido pavor.

Sucubus real, tangível e sedutor
Filha das trevas, suga o sangue de minhas feridas
Cospe em minha face, sem nenhum valor
Prossegue caminhando para sempre sem vida.

Eu olho para o céu e vejo
Fragmentos de mim, totalidade do teu ser
És agora mais forte que antes
Êxtase alucinante, não me perdoo por te querer.

E depois me calo,
O silêncio tem mais à dizer
Fria pele, passa-me teu calor
Já estou morto, muito antes de morrer.

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Temperados

No calçadão da praia

Olhos nos olhos

Mãos e almas entrelaçadas

Excesso de tudo

Carência de nada

 

Completude de vida

Na acepção mais viva

Da viva palavra

Beijo sem igual

Abraço transcendental

Todo o resto virou pouco

E virou tudo

O que era pouco mais que o nada

 

A declaração de amor

A entrega irrestrita

Os sorrisos que declaram

Muito mais do que as bocas falam

 

E o mar a olhar

O júbilo que nos faz levitar

Nosso amor é a pimenta da terra

Que tempera na medida certa

Que faz rir

E faz chorar

Plenitude do ser

Do viver

Do querer estar.

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Adeus

Se tu leres o que escrevo,
Saberás que é para ti
Este polido e fiel recado,
Notório, mas nunca por mim revelado,
Escrito com o puro sangue
Que jorra de minha cruz sem peso.

Que se diga, portanto, toda verdade,
Este jugo ao qual me submeto,
Esta poesia que canto ardentemente,
No centro de qualquer esquecido coreto,
Faz de meu corpo sacro púlpito,
De onde todos meus pecados confesso.

E se com lágrimas profanas,
Minha dor eu manifesto,
Reservo-me o direito de querer,
Muito mais do que te quero,
Que todos os meus desvairados devaneios,
Por ti e em ti se encerrem.

Não te direi adeus jamais,
Um louco não carece de loucura,
Simplesmente peço que te vás,
E com tua empáfia procure algures,
Outro coração que possas empalar,
E que tua redenção, não obstante, procures.

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Apertem os cintos!

E a comissária de bordo me disse:

“Teríamos que despachar como bagagem

O teu coração

Não cabe nada daquele tamanho

Dentro deste avião.”

 

Ao que respondi:

“Ele é grande – fato

Mas não precisaria sequer embarcar

Ele tem asas, vontade própria e já se foi

Só me pediu para o acompanhar

Acima de tudo, entretanto e contudo

Eu vou com tudo

Pois sem ele

Nem vida em mim há.”

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Feito de sonhos

Desde então

Visitas amiúde meus sonhos

E por isso, de ontem para hoje

Não me deixei dormir

 

Mas não é que acordado te vi?

Logo, logo, logo aqui…

Nos meus braços

Venceu-me o cansaço

Sonhei acordado

Coisa de homem apaixonado

Ou seria de homem alucinado?

 

Melhor eu tentar dormir.

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