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Besteira

Te amo neste fim de noite

Neste meio fio

Neste precipício

Nesta ribanceira.

Te amo contando trocados

Pedindo fiado

Engolindo poeira.

Tanto faz!

Porque tu és este amor

Que jorra de teu peito

E me fecunda por inteiro.

Te amo porque é o que sei fazer

É o que me faz ser quem sou

E o resto é pura besteira.

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Pintassilgo

Canta, coração!

Canta feito pintassilgo –

Preso –

Na gaiola invisível da paixão.

Canta, coração!

Canta até ficar rouco!

E se for chamado de louco,

Cante mais alto,

Pois o teu cantar

É o pulsar do coração.

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Mas entenda, meu amor

Não consigo dizer tudo em palavras

E por vezes me perco na urgência de ser compreendido.

Mas entenda, meu amor:

As minhas palavras podem eventualmente me trair,

Mas minhas atitudes jamais te trairão.

Portanto, na dúvida, meu amor,

Repare bem nas minhas atitudes e ações

E também nas minhas reações

Diante das imprevisibilidades da vida.

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Tudo é ponte

Teu livro me espreita da cabeceira, enquanto engulo um farto gole de cerveja.

Comemoro as tuas andanças, as tuas idas e vindas, partidas e chegadas. Você em movimento. Eu em movimento a você.

Os lençóis e a cabeceira ainda estão marcados pelo nosso amor. Testemunhas de gozos incansáveis, de confissões doridas. Coisas inesquecíveis. Coisas feitas e ainda por fazer.

Vejo uma calcinha. O cheiro de menta que emana do aromatizador ecoa pelo quarto e abafa uma única lágrima que desce do meu rosto com fúria no maior estilo “Que porra é essa? Cadê você?”

Saudade. Faz menos de uma hora que você se foi. Foi o tempo de eu dirigir da rodoviária até em casa e ser tragado pela tua ausência. Nem a beleza da Baía de Guanabara vista da Ponte Rio Niterói durante a noite foi capaz de tornar o “eu sei que você já volta” mais palatável. Uma situação indigesta é uma situação indigesta. Não há música que me salve disso.

Passei por duas Operações Lei Seca. Não fui parado em nenhuma delas. Eu deveria ter sido preso por andar embriagado de você, completamente atordoado pelo cheiro do teu perfume que mora no meu carro, na minha pele, nos meus sonhos.

Arrisco um Law & Order: SVU na esperança de ver um episódio novo. Por reflexo, tento alcançar teu corpo a meu lado em uma vã tentativa de me abrigar do mundo e ganhar um coçada nas costas. Você não está aqui como estava pela manhã, como esteve até o nosso “vai com Deus”.

Te espero sabendo que te espero por opção, por amor, por tesão, por teimosia, por esperança. “Tudo é rio”, da Carla Madeira. Capítulo 8. Até você voltar, terminarei de ler o livro.

Durma bem durante a viagem.

P.S.: As panelas que ficaram sobre o fogão eu lavo pela manhã. Volta logo. Quero você.

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Bolo de nós

O que quer que seja

De morango ou de cereja

Há um pedaço de nós em nós.

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Plágio

Tu que és luz da minha luz

Que de mim tudo traduz

Diga-me o que fazer

Com estes versos que nunca escrevi.

Tenho medo da rima que não encontro

Do que já disseram antes de eu ter dito

Fico aflito:

Serão os versos infinitos

Ou é um plágio tudo que sinto?

Sinto que parece ser tudo único

Mas há alguém que já tenha escrito

Sem sentir o mesmo?

Ou será que sou plágio de mim mesmo

Viciado em teu beijo

E só sei falar disso?

Tu que és luz da minha luz

Me traduza em poesias

Pelos teus próprios dedos.

Só assim acreditarei em meus versos

Ainda que todos estes sejam teus.

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Pegadas

Olhei para trás e vi minhas pegadas

Algumas um pouco borradas pelo tempo

Outras tantas ainda vivas apesar do tempo.

Pegadas que viraram poças

De sangue, suor

Esperma, lágrimas,

Vinho, saliva.

Cicatrizes

Momentos felizes

Pegadas que não se repetirão mais

Pegadas que nunca serão esquecidas.

Mas o que são estas minhas pegadas

Senão a minha própria vida?

A elas sou apegado

E eu sou desses

Que criam e vivem histórias

E minhas pegadas sempre serão

Ainda que depois da minha morte

A prova de que eu continuo vivo.

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Toxicidade

Posso te contar um segredo?

Eu já tive medo dela.

Medo de me perder de mim.

Eu ouvia minha mãe dizendo:

“Nada na vida pode ser tão bom.

Há algo de errado em todo esse frisson.

É só questão de tempo.”

(para eu me foder)

Mas minha mãe nunca me disse isso e nem precisava dizer.

Sem perceber (ou percebendo),

Ela sempre me fez crer

Que perder (seja lá o que for),

Era o meu insuperável destino.

E na terapia eu matei essa menino –

(morte necessária) –

E apesar de ainda ouvir a minha mãe dizer

(até mesmo quando ela não diz),

Aprendi a ficar em paz comigo.

Minha mãe já foi meu único abrigo

Diante de tramoias e perigos,

Que nunca existiram,

Que eu nunca vi acontecer.

E hoje, beijo-lhe a testa de maneira doce,

E convivo com o que ela gostaria que eu fosse

Ainda que eu saiba que este não sou eu.

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Destemido

Já tive medo de perdê-la

Até que me dei conta

Que cada dia sem perdê-la

Vale por toda uma vida

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Vim trazer verdades 63

Seja grato por ser único, insubstituível (sim, você não é descartável), cheio de defeitos e qualidades, na certeza de que quem te ama de verdade, ama você por inteiro.


Você não agradará a todos, mas quem disse que isso é necessário?


Apenas seja quem você é, aproveitando as oportunidades diárias que a vida oferece para o seu autoconhecimento e crescimento.


Se priorize! Invista em você! E seja grato por essa coisa incrível que é viver.