Não sou um poeta;
Sou um necessitado por poesias.
E como nem sempre as encontro
No sabor que eu quero,
Acabo por escrever algumas linhas –
Mesquinhas –
Mas minhas.

Não sou um poeta;
Sou um necessitado por poesias.
E como nem sempre as encontro
No sabor que eu quero,
Acabo por escrever algumas linhas –
Mesquinhas –
Mas minhas.

Vou te dizer, meu bem:
Pior que estar sem ti
É estar contigo
Sem estar.
Faltava-me a coragem
(ainda falta-me a coragem)
De largar a dor
Que hoje é te amar.
Mas vou te dizer, meu bem:
Pior que estar sem ti
É estar sem mim
Para contigo estar.

Olhei no fundo de seus olhos –
Olhos que ela me escondia –
E emiti um alerta.
Estado de atenção:
Lágrimas fortes previstas
Para hoje ou para daqui a 3 anos.
Em algum momento,
Será necessário sentir.
Em algum momento,
Será necessário viver.

Eu só te disse adeus porque foi isso que você me pediu. De resto, estou no soro para repor as lágrimas do que eu nunca quis.

A falta que me fazes?
Sabes bem dela.
Sabes das dores que carrego no peito.
Sabes que arfo por ti todas as manhãs.
Sabes que me sinto inadequado nos lugares.
Sabes que só pego no sono por pura exaustão.
Sabes que procuro teu cheiro no colchão.
.
Mas não é só tu que sabes.
Não é só tu que vês.
.
Há quem ache graça.
Há quem queira a graça de saber.
E disso tu não sabes,
Ou finges não saber.
.
Por ora é teu o tempo e o espaço.
Por ora é teu o meu querer.
Por ora te demoras.
Por ora espero-te até morrer.
.
Mas todo dia renasço e Deus sabe:
Numa dessas dá-se o ocaso,
E o acaso vem a minha porta bater.

O pranto por vezes é seco e mudo,
Porque por vezes é medroso.
Porque por vezes falta-lhe a coragem
De ser pranto.
.
Vim e estou aqui!
Vejam-me:
Estou pronto e sou pranto,
Mas escondo-me em sorrisos absintos,
Em obrigações comensais,
Em ratoeiras morais
Sem esperança ou encanto.
.
Mas há vergonha maior do que sorrir
Para não deixar rugir o pranto?
.
Sim, este desencanto
É mais do que motivo
Para o pranto!
E quando não deixo o pranto ser,
Eu mesmo me torno o pranto:
Escondo-me nas vielas da tristeza,
Esmorecido e aturdido,
Esgueirando-me de canto em canto.
.
Que me salve o pranto!

Mais um domingo.
Mais protetor solar.
Mais uma caminhada na praia.
Mais uma água de coco.
Mais uma roda de amigos.
Mais uma cerveja gelada.
Mais uma empada de camarão.
Mais risadas.
Mais um café.
Mais um bombom de chocolate.
Mais doçura.
Mais fé.
Mais gratidão.
Mais um domingo –
E é tão bom estar vivo! –
Se Deus quiser,
Outros tantos domingos virão.

O vento
Que lambe tua face
Sussurra em teus ouvidos
Palavras malditas
Que tu querias engolir.
.
Tua garganta seca
Tua mão molha
E em sentido anti-horário
Avançam do alto de Vênus
Os dedilhados do teu tormento.
.
Agita a tua batuta
Orquestra o teu ritmo –
Crescendo, crescendo! –
Enquanto teu rubor prepara
Um apoteótico encerramento.
.
Palavras malditas
Repetidas, sentidas
Não é o vento culpado
São teus ouvidos apurados
Revivendo mil momentos.

Algumas coisas só podem dar certo se outras tantas coisas derem errado.

O poeta morre um pouco
Quando dele se vai a ingenuidade,
Quando dele se vai a esperança,
Quando dele se vai a confiança,
Quando dele se vai credulidade.
Mas o poeta morre para renascer,
Porque a essência do poeta é o recomeço.
Diante dos cacos, das cinzas, da brutalidade,
O poeta morre e renasce sem medo,
Escrevendo novas histórias,
Ressignificando antigas histórias,
Rindo e chorando
De derrotas e vitórias,
Porque o que mata de fato o poeta
É não poder tentar
Pelo menos mais uma vez.
