No mundo das escolhas, No palco das ilusões, No futuro que se altera Diante do sim e do não, A vida segue resoluta, Diante da amarga autossabotagem Que é não tomada de uma decisão.
Qualquer coisa É só culpar o destino E deixar tudo por isso mesmo: Café frio sobre a mesa Adoçado com lágrimas ácidas e salgadas Que brotam do coração.
Sair de cabeça erguida, Brindar a integridade, Degustar a verdade, Manter a sanidade, Ver as luzes da cidade E sentir orgulho do eu que já não mais sou.
Porque este eu, Este que não mais sou, Lutou como sabia, Tentou tudo que lhe cabia, E na sua derrota aparente, Surgiu vitorioso um dia.
Não venceu ninguém, Posto que com ninguém competia.
Não humilhou ninguém, Posto que assim se humilharia.
Foi só um alguém, Que verdadeiramente existia.
E hoje, mais forte, Mais valente, Mais amoroso, Olho para o eu que já não sou E agradeço a Deus de joelhos por já ter sido.
Porque tudo que eu era É hoje pedra fundamental Do que vivo, Do que sinto, Do que acredito, E de tudo mais que eu já sou, E de tudo mais que eu ainda serei.
Confesso que nunca levei o Slash muito a sério. Sempre achei muito bom o seu trabalho no Guns N’ Roses, mas para mim ele era “só isso” (como se fosse pouco!).
Quis mais uma vez me calar o Spotify. De início, um violão de cordas de nylon, com uma harmonia bem típica da música clássica e até mesmo do Flamenco. E então, uma explosão de licks que vão da música erudita, passando pelo rock/heavy e muito, muito swing. Tudo isso usando o campo harmônico da escala menor harmônica. Algo bem fora da caixinha.
O resultado é de cair o queixo, com uma sonoridade que nos leva da Península Ibérica até o Oriente Médio. É para ouvir em silêncio e com um fone de ouvido de alta qualidade, pois as nuances são muitas.
P.S.: É impressionante como o Slash tem uma digital musical inconfundível. É fácil reconhecer quando é ele quem está no comando da sua guitarra. Ainda mais com a parede de Marshalls ao fundo e sua Gibson. 🙂
Ao vivo, ele não usa a violão com corda de nylon para a introdução. Prefiro a versão de estúdio.
E aí, você ouve uma música no rádio na década de 1990 e fica simplesmente extasiado com o gaitista. Você pergunta o nome da banda para todos, chegando ao ridículo de tentar cantar o refrão para facilitar as coisas. Nada. Ninguém sabia de nada. O solo de gaita, entretanto, permanece na sua cabeça até hoje!
Cerca de 27 ou 28 anos depois, um amigo seu lança a tal música no Spotify. A música é realmente incrível. O solo da gaita é realmente incrível. A banda é incrível. Dá até vontade de chorar de tanta alegria!