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Peito aberto

És assim:

A última coisa que penso antes de morrer

Morro todas as noites

Ressuscito todos os dias

E da gaveta do meu necrotério pessoal

Onde permanecem insepultos

Tanto o bem quanto o mal

Levanto-me e não me encontro

No obituário do jornal

E nesse estado de inexistência e torpor

Morto e roto

Liberto do amor

Não sinto tua falta

De fato, nada sinto

Pois lá

Seja lá onde esse lá for

Nem tu nem eu existimos

Dia e noite

Noite e dia

Vida sem sorte

Abraça-me a morte

Nua e fria!

Esquece-me a vida

Sufocante agonia!

Inexistência de tristeza e alegria

Eu diria

Não fosse esse implacável despertador

Que todo santo dia

É meu desfibrilador

E que me lembra de sentir dor

Cirurgia de peito aberto de saudade

Sem nenhuma anestesia.

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Grandiosos detalhes

Estava tudo nos detalhes

E você ali…

Estática

Esperando por algo grandioso

 

Grandiosa agora é a sua saudade

Mas isso para mim é só um detalhe.

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Amor de verdade

Entre ósculos e amplexos

De um amor angelical

Puro

Sem igual

Amor apaixonado

Que transcende o conceito

De certo e errado

Fodem

Fodem muito

E levam no dia-a-dia

O prazer como legado

Sempre

Costumeiramente

Abundantemente

Melados

 

Amam-se

Consomem-se

Fodem-se

Esquentam-se

 

São fogo

Combustível

Comburente –

Não se deixam amornar

 

Amor para foder

Foder para amar.

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O que as palavras não podem dizer

Sim, eu te amo
E te quero cada vez mais,
E sempre que eu te chamo
Espero que venhas diferente,
Mais pura, mais leve, mais solta,
De preferência, sem muita roupa,
Pois não haverá muito tempo para resistir.

Fecho os olhos e recebo teus beijos:
Sinto teu cheiro em mim.
E me satisfaço em saber que meu desejo
Está como veio ao mundo,
Exatamente diante de mim.
Sim, meu desejo tem voz
E nesse momento que estamos à sós,
Te possuo com gritos e berros,
Te rasgo com palavras doces,
E tudo de bom que a vida me trouxe
Eu despejo dentro de ti.

Inundo-te feito rio doce, melado,
Nenhuma destruição, só prazer.
Ao mesmo tempo que descanso,
Tua vontade eu agiganto
Beijando, sem pressa,
As portas do teu céu,
Fazendo com que teu contorno se mostre,
E minha congruência mais uma vez invoque,
Mostrando o tanto que quero em ti.

E se feito um número peço que fiques,
E que sem medo te entregues para mim,
Te mostro o que ainda não experimentaste,
E a mistura de dor e prazer em tua face
É o prêmio maior que recebo
Desse momento que vicia,
Marcando definitivamente minhas fantasias,
Quando por sobre seu ombro
Vejo o que tu não precisas dizer.

Sim, sei que te sentes mais mulher agora
E sem dúvida me sinto também mais homem.
Chegastes onde querias,
E no teu rosto, inigualável imagem:
Vejo meu prazer brilhar em ti!
Teu gosto definitivamente meu,
Como se fosse minha própria saliva,
Que sem pressa cristaliza
O quanto que ainda preciso te ter.

Sim, somos puro prazer…
E dentro de nós resta a esperança
De mais um dia, mais uma noite…
Sempre mais, cada vez mais,
Não há nada melhor do que sermos um único corpo.

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O retorno

Meu corpo te diz adeus,
Sem palavras, casualmente,
Sem a força de quem diz que vai
Esperando o momento da volta,
Como corpo que espera o coração bater.

E eu que tanto te quis,
Me olho assustado, surpreso,
Para onde foi todo aquele desejo?
Onde está o nosso último beijo?
Eu não sei. Eu não sei.

Só sei que sou agora o mesmo de antes,
De antes de te conhecer.
Puro, sincero, verdadeiro,
Forte, destemido, louco pelo cheiro
Da vida, do amor, de Deus.

Ah! Meus amigos voltaram,
Voltou a paz da incerteza do destino,
Voltou a luta diária pelo pão de cada dia,
Voltou aquela menina da rua que me sorria,
Voltou tudo, ou melhor, eu voltei.

É, agora eu me pergunto,
Será que por um breve período enlouqueci?
Tenho certeza que não!
Foi coisa do coração:
Coisa que dá e passa.

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Succubus

Eu olho para o céu e vejo
No infinito a minha finitude
Perplexidade diante de coisas tão pequenas
Fraqueza, apesar de plena e total saúde.

Nas sombras eu me escondo aturdido
Quero ver o Sol, mas não quero luz
Cruel e real tua atordoante presença
Que mesmo sem ter cor, muito seduz.

Desejar-te é desafiar todas as barreiras
Vencer o tempo, fugir da cruz
Animalizado instinto, puro sentimento
Revelar meu carrasco, sem tirar seu capuz.

Deixar o fogo queimar a carne
Deixar a alma arder em torpor
Trocar o certo pelo incerto atraente
Trocar o vazio pelo anseio, impávido pavor.

Sucubus real, tangível e sedutor
Filha das trevas, suga o sangue de minhas feridas
Cospe em minha face, sem nenhum valor
Prossegue caminhando para sempre sem vida.

Eu olho para o céu e vejo
Fragmentos de mim, totalidade do teu ser
És agora mais forte que antes
Êxtase alucinante, não me perdoo por te querer.

E depois me calo,
O silêncio tem mais à dizer
Fria pele, passa-me teu calor
Já estou morto, muito antes de morrer.

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Temperados

No calçadão da praia

Olhos nos olhos

Mãos e almas entrelaçadas

Excesso de tudo

Carência de nada

 

Completude de vida

Na acepção mais viva

Da viva palavra

Beijo sem igual

Abraço transcendental

Todo o resto virou pouco

E virou tudo

O que era pouco mais que o nada

 

A declaração de amor

A entrega irrestrita

Os sorrisos que declaram

Muito mais do que as bocas falam

 

E o mar a olhar

O júbilo que nos faz levitar

Nosso amor é a pimenta da terra

Que tempera na medida certa

Que faz rir

E faz chorar

Plenitude do ser

Do viver

Do querer estar.

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Ouvindo o silêncio

Silêncio, dentro de mim.
Sua voz que tanto me dizia,
Que em acordava, me benzia,
Se foi, junto com você,
No último dia que pude ouvir.

Ficaram as palavras mudas,
De quem jurou, prometeu, se entregou,
Amou, seduziu, gozou,
Que fim tudo isso levou?
Não sei, embora precise saber,
Tudo se silenciou.

Sou silêncio agora,
Pois já disse tudo que podia,
Tudo que havia, tudo que sentia,
Nunca, nunca, hipocrisia,
Tudo verdade, tudo perfeito,
O que eu tinha como meu grande direito,
Se apagou, se emudeceu.

Ouço apenas o cantar dos pássaros,
Que levam e trazem minha saudade,
Reafirmam a minha dignidade,
E me mostram em seu vôo
A liberdade, para ir e vir,
Encontrar meu caminho,
Entre pedras e espinhos,
Minha vida, meu prazer.

E mesmo que eu fizesse muita força,
Você, minha boneca de louça,
Se quebrou, se partiu.
Ninguém, ninguém sorriu,
E o mundo imaginou
O que você nunca admitiu:
Quando você se foi, silêncio,
Dentro de mim,
Mas muito mais dentro de você.

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Sonhos

Faço de minha vida um livro aberto,
Pois de ti sempre estou certo.
Palavra por palavra, ato por ato,
Disfarçando minha dor, meu cansaço,
Revelo cada dia mais meu amor.

Se fui cego, agora vejo,
Na solidão, meu desejo
De me superar, me redimir,
De viver tudo o que é bom
De te viver sempre, mais forte
Mais dona de si, como sempre te quis.

Nas coisas mais simples da vida
Nas esquinas, ruas, avenidas
Percebo a razão de tudo
De todo tempo que não foi em vão
E nas batidas do meu coração
Teu sorriso, tua estrela brilha.

Que Deus faça de mim, desse homem,
Que te quer muito mais do que feliz,
Que sempre, sempre te quis,
Poço de sabedoria,
Para suportar nossa cama tão vazia
Quando chega a hora de dormir.

E que Deus também dê razão,
E força as coisas do coração,
Pois não receber e viver
O teu, nosso amor,
É viver em um vazio,
Onde a felicidade não se encontra,
Onde os anjos choram e nos questionam,
Pois sabem que podemos ser tudo,
Muito mais do que um casal feliz.

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Adeus

Se tu leres o que escrevo,
Saberás que é para ti
Este polido e fiel recado,
Notório, mas nunca por mim revelado,
Escrito com o puro sangue
Que jorra de minha cruz sem peso.

Que se diga, portanto, toda verdade,
Este jugo ao qual me submeto,
Esta poesia que canto ardentemente,
No centro de qualquer esquecido coreto,
Faz de meu corpo sacro púlpito,
De onde todos meus pecados confesso.

E se com lágrimas profanas,
Minha dor eu manifesto,
Reservo-me o direito de querer,
Muito mais do que te quero,
Que todos os meus desvairados devaneios,
Por ti e em ti se encerrem.

Não te direi adeus jamais,
Um louco não carece de loucura,
Simplesmente peço que te vás,
E com tua empáfia procure algures,
Outro coração que possas empalar,
E que tua redenção, não obstante, procures.

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