Avatar de Desconhecido

Reflexo

Hoje, sem querer, descobri que havia um espelho dentro do meu armário. Não sabia. Tomei um susto.

Me vi nu. Não por falta de roupa ou nada parecido, mas porque fui acidentalmente flagrado, e foi simplesmente impossível não me ver.

Vi a idade, as rugas, a falta de cabelo, mas também vi a sabedoria, a capacidade infinita de amar, e o orgulho tímido de uma trajetória que até hoje foi de tudo um pouco, menos covarde. Nunca tive medo de me foder.

O espelho dentro do meu armário, que eu não sabia que existia, me mostrou um eu que eu havia esquecido. O espelho dentro do meu armário me mostrou que eu estou vivo e pronto para viver.

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Vim trazer verdades 69

O dia que eu mudei o meu diálogo interno de “olha o que essa pessoa faz comigo” para “olha o que eu deixo essa pessoa fazer comigo”, me tornei protagonista da minha própria história e passei a decidir o que/quem deve fazer parte da minha vida ou não.

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Bora viver!

Já tive mais cabelo, mas também já tive mais medos. A idade vem com seus prós e seus contras.

Somos ensinados desde cedo a pertencer, o que esconde muitas vezes as ginásticas e malabarismos que precisamos fazer para sermos aceitos, pois a aceitação dos outros é pré-requisito para o pertencimento.

A família, a igreja, a escola, o time, a visão política. Quantos sacrifícios feitos em nome do pertencer?

E se ao invés de pertencer, decidirmos apenas ser? Um ato de coragem, de bravura, que não vem sem dor ou mesmo sem despedidas. Entretanto, a vida me ensinou que quando somos, sabemos que tudo que nos resta é verdadeiramente nosso, e isso se chama liberdade, independência.

Sejamos, então, e se calhar de pertencermos, ótimo. Caso contrário, paciência. Bora viver!

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Metalingus – Alter Bridge

Essa música é um soco na cara. Há mais para se fazer na vida do que reclamar do que poderia ter sido.

Sigamos em frente! Letra no vídeo.

P.S.: A banda é SENSACIONAL!

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A esperar

Olho para o mar

E no horizonte,

Vejo o ir e vir das embarcações.

Não vejo a que eu espero.

Não vejo a que sempre estive a esperar.

.

Olho para o mar novamente.

Desta vez com os olhos marejados.

A saudade escorre pelo meu rosto,

Pelo meu peito, até meus pés,

E me deixa de joelhos.

.

Seguro um punhado de areia

E o deixo escorrer por entre meus dedos.

Sou ampulheta viva

E a minha vida

Por mim está a passar.

.

Olho para o mar mais uma vez.

Quem sabe, talvez?

Entre motivos e porquês,

Há um coração que pulsa alto,

Esperando o amor aportar.

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Em nós

Lembro de tudo:

Do adeus mudo

Do argumento surdo

Do pedido

“Fica…”

Porque sem ti

Não tenho para onde ir

E nem para onde voltar.

.

Até hoje

Nas noites mais escuras

Onde o travesseiro é clausura

Ouço teus passos

Sinto teu peso a meu lado

Invisível corpo –

Estupenda alma –

Que pesa a meu lado

Em meu colchão.

.

Pedi a Deus

Que me desse o amor –

Não um qualquer amor –

E Deus me levou

De encontro a ti.

.

Pedi a Deus

Que me desse sentido

E eu fui ouvido

No teu “eu te amo”

No teu “adeus”

Que me deixou sem mim.

.

Mas ainda há de chegar

A primavera

E as poesias do

“Quem me dera”

Se transformarão

Em preces de gratidão

Pelo adeus que em mim

Nunca foi

Nunca partiu.

.

E tudo isso

Será para nós alicerce –

Inequívoca prece –

Do que sempre fomos

E de tudo que ainda somos

No porvir.

.

De ti

Nunca me esqueci

E sei que em ti

Há um pedaço de mim.

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Para me manter vivo

Queria ser salvo da vida,

Mas não pela morte –

Salvação inevitável –

Mas pela sorte de entender

Que é uma tremenda sorte

Estar vivo.

.

Como eu gostaria que Deus,

Descesse dos céus e me dissesse:

“Estás vivo; já não é o bastante?”

Mas Deus anda ocupado,

E eu tenho reclamado

Muito mais do que agradecido.

.

Vivo!

E no fundo eu sei que é bom estar vivo,

Mas que isso não me impeça

De morrer para certas coisas –

Ou de matar certas coisas –

Para me manter

Vivo!

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Castelo

Demorei uma vida inteira para entender que castelo não é um lugar, mas um sentimento.

Castelo é onde eu me sinto bem.

Castelo é abrigo, é refúgio, é colo, é convite, é café, é bolo de milho, carinho.

Castelo é onde o mal e os problemas continuam existindo, mas parecem menores diante da sua autoriade imponente e tenacidade resoluta.

Castelo é onde eu posso dormir de olhos fechados.

Castelo é onde eu posso falar sem ser julgado e posso ouvir para acolher.

Castelo é poder ser, viver e deixar viver.

Castelo é onde eu posso ser eu, e sendo eu, ser castelo na vida de quem eu amo.

Castelo é saber e sentir que há quem me ame.

Castelo é amar e ser amado.

Castelo é em comunhão com a vida e comigo mesmo, viver.

Ilha da Boa Viagem – Niterói/RJ
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Antes que a vida passe

Comprei um sapato novo,

Mas não o uso,

Para que ele permaneça novo.

Talvez fosse melhor

Não ter comprado o tal sapato.

Afinal de contas,

De que vale um sapato novo,

Senão para deixar de ser novo?

Preciso deixar de ser bobo

E usar logo o meu sapato novo,

Antes que a vida passe,

E só ele permaneça novo.

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Domingo de inverno

Domingo eu te quero

Domingo eu te tenho

Domingo eu te pego

Domingo não me contenho.

.

Domingo eu te rio

Domingo de ti rios

Domingo de Niterói

Domingo de nós.

.

Domingo

Sempre domingo.

Com mais idade,

Jogaremos bingo.

Mas por ora

No aqui e no agora –

Sem demora –

Existimos e resistimos

Em mais um delicioso domingo.

Niterói/RJ – Brasil