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Universal

Eu gosto de falar com você, e um dia sem falar contigo me causa uma dor que faz tremer o universo. Eu não sabia disso, até o próprio universo vir reclamar comigo.

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P.S. 52

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Tudo é ponte

Teu livro me espreita da cabeceira, enquanto engulo um farto gole de cerveja.

Comemoro as tuas andanças, as tuas idas e vindas, partidas e chegadas. Você em movimento. Eu em movimento a você.

Os lençóis e a cabeceira ainda estão marcados pelo nosso amor. Testemunhas de gozos incansáveis, de confissões doridas. Coisas inesquecíveis. Coisas feitas e ainda por fazer.

Vejo uma calcinha. O cheiro de menta que emana do aromatizador ecoa pelo quarto e abafa uma única lágrima que desce do meu rosto com fúria no maior estilo “Que porra é essa? Cadê você?”

Saudade. Faz menos de uma hora que você se foi. Foi o tempo de eu dirigir da rodoviária até em casa e ser tragado pela tua ausência. Nem a beleza da Baía de Guanabara vista da Ponte Rio Niterói durante a noite foi capaz de tornar o “eu sei que você já volta” mais palatável. Uma situação indigesta é uma situação indigesta. Não há música que me salve disso.

Passei por duas Operações Lei Seca. Não fui parado em nenhuma delas. Eu deveria ter sido preso por andar embriagado de você, completamente atordoado pelo cheiro do teu perfume que mora no meu carro, na minha pele, nos meus sonhos.

Arrisco um Law & Order: SVU na esperança de ver um episódio novo. Por reflexo, tento alcançar teu corpo a meu lado em uma vã tentativa de me abrigar do mundo e ganhar um coçada nas costas. Você não está aqui como estava pela manhã, como esteve até o nosso “vai com Deus”.

Te espero sabendo que te espero por opção, por amor, por tesão, por teimosia, por esperança. “Tudo é rio”, da Carla Madeira. Capítulo 8. Até você voltar, terminarei de ler o livro.

Durma bem durante a viagem.

P.S.: As panelas que ficaram sobre o fogão eu lavo pela manhã. Volta logo. Quero você.

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Açoite

Quando a noite chega, chega também o açoite

Chega a saudade que mato no álcool

Chega nos canais de TV que evito ver

Chega no desejo que nego

Chega no saber que estás sei lá onde

Quando o dia chega, chega também o açoite

Mais uma noite que passei sem ti

Meu corpo sem teu cheiro

Os lençóis arrumados e ilesos

Mais um café sem gosto

Queria eu ter o poder de voltar no tempo

Para refazer ou reescrever o momento

Que confesso, desconheço

Em que nos perdemos um do outro

Queria eu ter o poder avançar o tempo

Até viver ou sentir por um momento

Que te esqueci e não me lembro

Que não sei viver sem ti

Açoite

Noite e dia

Dia e noite

Açoite

Açoite

Açoite

Açoite

Açoite

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Por nós

Me mostra aquelas poesias

Que você escrevia

Quando o nosso amor

Escorria pelos seus dedos

Me fala do tempo

Em que éramos três:

Nós

Você e eu

Me fala das fotografias

Onde tudo que a gente queria

Era perpetuar

Todo e qualquer instante

E hoje, que tudo temos

Que tudo podemos

Me fala do nosso amor

Como se não fosse algo distante

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Felipe Ottolini

Hoje, meu irmão faria 48 anos. Faleceu quando tinha apenas 8 anos.

Como seria se… ? Não sei. Só sei que faz 40 anos que sou pura saudade.

Feliz Aniversário, meu irmão!

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Pores do sol

Aos poucos, o calor do verão se vai,

E o fim de tarde chega feito esperança:

Brisa leve, água de coco, andanças,

Pores do sol para admirar.

No coração certezas frágeis,

Ausências sentidas,

Distâncias doridas,

E a realidade para me abraçar.

O sonho está vivo,

Viver é preciso,

E os velhos lugares me sorriem,

Me chamando para ser e estar.

E volta e meia a saudade me cutuca,

Dá o ar da sua graça e o perfume da sua nuca,

Lembranças das quais não fujo,

Lembranças que insistem em ficar.

E quem sabe amanhã ou hoje ainda,

Neste por de sol que sempre fascina,

Tudo se resolva com um simples olhar:

Posto que tudo é simples e belo com os olhos do amar.

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É pela saudade

No café da manhã, enquanto ela lia as notícias e conversávamos sobre elas.

Na hora de dormir, vendo “O mundo visto de cima”.

Sinto falta de tudo que acontecia durante o dia.

Nunca senti uma saudade tão intensa.

Já xinguei Deus por conta disso. Já agradeci a Deus por tudo isso.

Tenho memórias e milhões de histórias.

Tenho sorrisos que aparecem por conta de lembranças. Também tenho lágrimas que aparecem pelo mesmo motivo.

Mas, acima de tudo, sempre muita saudade.

E quero viver com ela mais memórias e milhões de histórias.

Porque se não é pela presença, é pela saudade que eu vivo.

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Anil

Te olhar nem sempre é com os olhos.

Por vezes, sinto minhas entranhas atiçadas, pois és parte delas.

Por vezes, quando as minhas pálpebras fingem que dormem, lá estás, lá vives.

Nenhuma força é maior do que ti, e por isto acabaste com meu estado de natureza.

És o meu estado meu estado civil, e o céu se faz anil todos os dias, até nos dias que não te vejo.

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Muito eu vi(vi)

Eu vi a birra da criança

Eu vi a alegria dos bate-bate

Eu vi os escorregadores e os balanços

Eu vi os cachorros rolando na grama

Eu vi o senhor e seus passarinhos

Eu vi as flores e as cutias

Eu vi o casal se beijando ardentemente

Eu vi o pipoqueiro e seu carrinho

Eu vi o coreto e a igreja matriz

Eu vi o moço que vendia balas e balões

Eu vi o lago e os peixinhos.

E ali, bem ali

Bem no meio daquele campo

Eu revivi a minha infância

Cheio de saudades de quem deste mundo

Já se foi sem mim.

Campo de São Bento – Niterói/RJ