Avatar de Desconhecido

A pessoa por detrás da tempestade

Hoje conversei com uma pessoa que não encontrava havia algum tempo.

Não fisicamente. Nem em fotografias. Nem nas lembranças.

Encontrei na voz.

As vezes a vida é injusta. Acumula cobranças, perdas, preocupações e dias difceis sobre os ombros de alguém até que a própria pessoa passe a acreditar que se resume àquilo que está enfrentando.

Mas ninguém é apenas os seus dias difceis.

Ninguém é apenas a conta que não fecha, a batalha em andamento ou o problema que insiste em não se resolver

Existem pessoas que são maiores do que as circunstâncias que atravessam.

Hoje me lembrei disso.

Enquanto ela falava sobre o próprio trabalho, ouvi novamente o entusiasmo, a curiosidade e a alegria que sempre admirei.

A capacidade de se deixar tocar pelas coisas que dão sentido aos dias.

Foi bom ouvir aquela voz.

Foi bom perceber que algumas presencas permanecem conosco mesmo quando a distância, o tempo ou os problemas tentam escondê-las.

Há pessoas que nunca desaparecem completamente.

Às vezes apenas ficam atrás das nuvens por um tempo.

E hoje, por alguns minutos, o céu se abriu.

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Terça-feira

Terça-feira

SVU

Chicago PD

Você nua

Eu nu

Pele com pele

Tesão

Orgasmos

Bocejos

Minhas costas coçando

Sua mão resolvendo o problema

Boa noite, meu amor

O mundo visto de cima

E a vida nos vendo por dentro

Pura luz

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O mesmo

Encontro o homem do espelho todos os dias.

Já soube seu nome.

Já soube seus sonhos.

Hoje nos observamos com a cautela

de dois estranhos

tentando descobrir

em que momento deixaram de se conhecer.

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O homem do espelho

Há uma série de respostas que espero do homem do espelho.

Mas talvez a demora não seja culpa dele.

Talvez eu ainda não as tenha encontrado por não saber formular as perguntas certas.

Talvez eu esteja há anos tangenciando as perguntas.

Ou, mais difícil ainda, talvez me falte a coragem de fazê-las.

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Entre a pele e a memória

I. A promessa

Nos teus lábios há
promessas que o silêncio
jamais desmentiu.
E eu sigo descobrindo
novos caminhos em ti.


II. O segredo

Teu nome repousa
na curva dos meus desejos
como um segredo.
Quanto mais tento esquecê-lo,
mais se aproxima de mim.


III. A espera

A noite demora.
Mas tua ausência desperta
o que adormece.
Há amores que insistem
em florescer no escuro.


IV. A falta

Não é só desejo.
É reconhecer teu corpo
na própria falta.
Como quem toca uma música
mesmo sem ouvir o som.


V. A permanência

Era só um olhar.
Mas trouxe de volta a chama
que eu conhecia.
Há desejos que não morrem,
apenas aprendem a esperar.


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O mistério das coisas comuns

Há uma sabedoria secreta nas coisas que não fazem alarde.

.

O relógio que atravessa os anos

sem jamais atrasar da própria vida.

A cadeira vazia que continua aguardando alguém,

mesmo depois de todos terem partido.

A xícara esquecida sobre a mesa,

guardando no fundo

uma borra de café

como quem preserva uma memória.

.

Há um mistério discreto

na poeira que dança ao sol,

na planta que se inclina para a janela,

na chuva que escurece lentamente a calçada.

.

Talvez o extraordinário

não esteja nas grandes descobertas,

nem nos horizontes distantes.

Talvez more justamente

nas pequenas coisas

que repetem o seu ofício

sem imaginar

que alguém as observa.

.

E talvez seja por isso

que a vida passe tão depressa:

não porque falte tempo,

mas porque quase nunca paramos

para escutar

o silêncio das coisas comuns.

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O que permanece

De tudo, o amor ainda resta.

A chama permanece. Nem sempre ilumina o suficiente.

Há caminhos que o amor percorre, mas há portas que o amor não abre.

E talvez a parte mais difícil não seja deixar de amar.

Seja descobrir que amar, mesmo com todas as forças da alma, pode não ser o suficiente.

E sentir, profundamente, que a parte mais bonita que há em mim, talvez nunca encontre lugar para existir.

Não por falta de verdade ou da mais absoluta entrega.

Apenas porque algumas distâncias são maiores do que os braços que estendemos.

Maiores do que tudo o que temos para oferecer.

E algumas portas permanecem fechadas para quem bate nelas com o coração.

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De novo, talvez

Talvez amanhã.

Talvez nunca, meu bem.

A essência do talvez é essa:

Uma moeda arremessada,

Um cara ou coroa

misturado com a Lei de Murphy,

com a Lei do Karma,

com a opinião de quem

mal te conhece

ou quer saber

dos teus porquês.

Se estou certo?

Veremos…

Talvez.

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O vento sabe

Casa acesa.

Sombras dançam na janela.

Não entro nelas.

O vento sabe meu nome,

mas ninguém o pronuncia.

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Quase…

Quase…

Foi feliz,

Se entregou sem temor,

Pisou fundo no acelerador,

Sendo profundamente amada, amou,

Viveu.

Outro dia, quase foi gol.

A bola beijou a trave!

A torcida gritou!

Mas o jogo terminou 0 x 0.