Há pessoas que passam
por nossa vida,
e há aquelas que permanecem.
Não porque estejam sempre perto,
mas porque encontram um lugar
que o tempo não consegue alcançar.
Foi assim.
Não uma resposta,
mas uma pergunta.
Não uma estrada,
mas uma direção.
Durante anos,
entre aproximações e silêncios,
entre conversas longas
e despedidas apressadas,
foi desenhando a própria presença
num território que nunca pertenceu
inteiramente ao sim
nem inteiramente ao não.
Há quem ame no conforto das certezas,
Mas existem amores
que habitam as entrelinhas.
Vivem do que foi dito,
do que não foi dito,
do que quase aconteceu
e do que permaneceu esperando.
E talvez seja por isso
que algumas presenças continuem ecoando.
Não pela perfeição.
Não pela facilidade.
Mas porque certas pessoas
nos obrigam a olhar para dentro.
A descobrir a coragem,
a vulnerabilidade,
a esperança,
e até as feridas
que fingíamos não possuir.
São como aquelas estrelas
que nem sempre enxergamos.
Algumas noites desaparecem
atrás das nuvens.
Mas continuam lá.
Distantes.
Presentes.
Inalcançáveis às vezes.
E, ainda assim,
parte da paisagem.
Talvez um dia
os caminhos finalmente se encontrem.
Talvez não.
A vida nem sempre revela seus planos
no tempo que gostaríamos.
Mas existem presenças
que desafiam o passar dos anos.
Não desaparecem.
Não se tornam lembrança.
Permanecem.
Entre os dias comuns,
nas palavras guardadas,
nos reencontros inesperados,
nas histórias que ainda procuram
a própria forma de existir.
E algumas histórias,
por mais longas que sejam as pausas,
recusam-se a terminar.
Não porque pertençam ao passado,
mas porque continuam habitando
o horizonte.
Como o mar visto de longe:
nem sempre ao alcance das mãos,
mas sempre presente aos olhos.
E enquanto houver horizonte,
haverá caminho.
E enquanto houver caminho,
nenhuma página precisará ser
a última.









Você precisa fazer login para comentar.